6 de julho de 2010

Para mim, escrever já não é mais tão simples como antes. Antes eu não me preocupava nenhum pouco com pontuação, coerência, gramática, escrita culta, coloquial, ou sei lá o quê. Eu simplesmente colocava no papel o que vinha em mente. Era tudo tão mais simples: as palavras fluíam na minha cabeça, saíam com mais facilidade, parecia que elas tinham vontade própria. Eu nunca me senti à vontade para mostrar aquilo que escrevia, e se eu o fizesse, não me expunha, por medo de possíveis críticas.

“O que as pessoas pensam?”, essa frase sempre foi uma assombração, a insegurança me acompanhava. Mas mesmo assim, eu escrevia com frequência e guardava todos os meus caderninhos muito bem escondidos e os relia sempre. E mesmo se ninguém entendesse o que estava escrito, eu não ligava. Buscava mais motivação e inspiração para continuar a escrever. Infelizmente não me lembro quais eram essas motivações, hoje em dia ando precisando bastante delas, mas elas não aparecem. Simplesmente eu não consigo acompanhar a velocidade das mudanças em minha mente, é tudo muito instável e complexo. É incrível como, de repente, sua criatividade desce pelo ralo, seu deficit de atenção se aguça e tudo aquilo que você pensava, criava, desenvolvia, escrevia mentalmente; em segundos desaparece e você já não consegue mais concluir, ou pelo menos, iniciar aquilo que você tanto quis.

É incrível como você já não sabe mais escrever um poema ou poesia, não consegue mais escrever uma música, tão pouco uma simples carta. E também, é incrível como aquela assombração ainda continua, talvez até maior do que antes. Felizmente, hoje um pouco mais madura, você pode ignorá-la e fingir que não existe mais. Dizem que a leitura ajuda a aprender novas palavras, a desenvolver textos, a falar melhor, enfim. Mas quem é que pode me dizer – POR FAVOR - o que pode me ajudar a retomar àquela paixão que eu tinha pela leitura? Porque é disso que eu preciso! Definitivamente. Eu preciso me apegar às coisas que eu sempre gostei, agarrá-las, usufruí-las ao máximo e fazer tudo o que eu queria/quero fazer, todas aquelas coisas nas quais eu acho que sei fazer...

Por mais que, talvez alguns achem que não sirvo para ser ou fazer certas coisas, continuarei a fazê-las mesmo assim. Pois acima de tudo, a minha opinião, o meu desejo, a minha paixão, a minha consciência tranquila, AINDA é mais importante. E me aperfeiçoarei na medida do possível. Afinal, cada novo dia é um aprendizado.

Nenhum comentário: