29 de setembro de 2010

Não há lugar mais íntimo e relaxante do que o quarto. Bom, pelo menos o meu. Com todas aquelas cores, objetos, pensamentos e sonhos lá guardados. O engraçado é que, quando criança, não gostava nenhum pouco da cor rosa, nem de decorações, nem de frescurinhas. Minha única vontade era ter uma escrivaninha no meu quarto! Uma simples mesinha e cadeira onde eu pudesse escrever.

Observando bem, não mudei muito dos meus 8 anos de idade até hoje. Continuo não gostando de frescuras, continuo chata, grossa, respondona, falando besteiras e ALTO. A minha criatividade, eu tentei segurar ao máximo, mas ela conseguiu escapar. A facilidade de escrever, desenhar, dar aquele colorido certo no desenho, voar alto... Ah, tudo isso já se foi. Passa bem longe de mim agora. Alguns gostos se mantiveram, outros tiveram uma melhorada.

Por exemplo, meus programas favoritos continuam sendo desenhos animados: nada melhor do que assistir Os Padrinhos Mágicos, FlapJack ou Chowder. Porém, comecei a gostar de coisas de "mulherzinha": minhas cores favoritas hoje são lilás e rosa - possibilidade jamais cogitada há anos atrás. Comecei a me preocupar mais com que roupa vestir, que brincos usar, que bolsa combina com qual roupa. Com exceção de sapatos.

Ah não, sapatos não. Por mim, eu andaria descalça para sempre. Não há nada mais desconfortável, quente, implicante e estressante do que usar sapato. Principalmente daqueles fechados e/ou de salto alto. Por isso sobrevivo a rasteiras. E pra dizer que não tenho, há somente um tênis, um sapato e duas sandálias de salto alto no meu guarda-roupa. Nota importante: Há mais de um salto alto porque um deles é preto de bolinhas brancas; que é uma das coisas que me conquista de cara, seja o que for, juntamente com coisas listradas. Todas essas roupas, calçados, acessórios, são organizados por tamanhos, modelo, cores e estampas. Pareço metódica, não é mesmo? Mas não me considero assim. É puro acaso da necessidade organizacional.

Por mais que alguma coisa que aqui eu disser, possa me contradizer, nada mudará o fato de eu não gostar de frescuras. Quando eu digo frescura, falo de atitudes frescas, e não frescurites. Até porque, o meu quarto pode ser a definição mais concreta do que é frescurite: as paredes são rosa bebê; acompanhadas da parede principal, lilás escura; com suas prateleiras brancas, fotos, porta-retratos; DVD’s de seriados, organizados por temporada e grau de preferências; filmografia - pela metade - do meu ator predileto; bonecos dos meus desenhos preferidos em tamanho e modelo diferentes; abajur artesanal pintado à mão por mim, localizado em cima do meu criado-mudo, que combina com minha cama, rack e guarda-roupa; cortinas duplas, nas cores lilás e branca; puff rosa, para dar um toque a mais no quarto, e por fim, televisão, DVD e som, estrategicamente posicionados, para me proporcionarem um ambiente tranqüilo, de acordo com meu humor.

Apesar de tudo isso, continuo não sendo fresca. Gosto somente de ter um lugar aconchegante para relaxar, quando quiser. Um lugar pra acender meu incenso, me desligar do mundo e me curtir. Um lugar pra poder colocar meus pensamentos no lugar, sem ouvir opinião de ninguém. Um lugar bem arrumado, com todos meus gostos e manias, minhas regras e necessidades. Meu cantinho. Meu lugar favorito.

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