5 de abril de 2011

As luzes estão aparecendo mais cedo. De acordo com o relógio, ainda está de tarde; mas no céu, já é noite. São 17h30. Eu lembro quando as ruas só tinham casas e eu exercia o poder de ver o céu por inúmeros ângulos. Agora mal dá pra ver este céu de tanto prédio que existe. Olhando diretamente pra cima, dá pra ver o azul escuro, as nuvens cinza e poucas estrelas. Mas se eu tentar olhar pelos lados vai ser em vão. Os prédios limitam a minha visão do céu.

Eu sei que cresci, mas acho que nem foi tanto assim. Minha baixa estatura impede que eu veja o que está além dos prédios grandes e luminosos, porém, minha mente é bem maior que minha altura. É tanto que nem preciso estar de olhos abertos para enxergar. Eu até sei o que se esconde atrás da linha do horizonte. Quando estou de frente pro mar, relembro do quanto foi incrível esta descoberta.

Mas, nestas ruas, com esses prédios grandes e luminosos, fica difícil de ver o horizonte. Houve um tempo em que eu não enxergava nada. Fui seduzida pelo concreto e esse fato interferiu diretamente no meu abstrato. Eu tentava olhar além, mas eu não conseguia fechar os olhos. Apesar de estar com os olhos abertos, eu não estava acordada.

De repente eu consegui: fechei os olhos! A partir de então, quando passo por essas ruas, vejo o que está ao meu alcance, percebo o que está dentro e enxergo o que está além de todos esses prédios altos e luminosos. Já são 23h45. É noite, de fato. Eu continuo acordada, com os olhos fechados e enxergando muito melhor.