29 de agosto de 2011

Foi numa quinta-feira, às 9 horas da manhã, enquanto tocava as músicas da sua banda preferida no computador, que me foi dada a notícia. Eu já sabia que você não estava bem. O primeiro sentimento que tive foi de tristeza, em seguida veio o arrependimento. Lembrei imediatamente que já haviam me dito que você estava internado e me recomendaram uma visita. Eu pensei em ir, mas, por algum motivo, não fui.

Apesar de estar ciente da sua fragilidade, foi uma surpresa. Há duas semanas soubemos que havia sinal de melhoras e ficamos na expectativa de você voltar pra casa o quanto antes. Positividade não faltou, teve até comentários do tipo "Ta vendo, Mauri vai fazer muita raiva ao povo ainda". E com isso eu fiquei um pouco mais tranquila. Só que, infelizmente, não foi o que aconteceu.

Até então, tudo parecia muito confuso. Foi somente quando te vi e você não podia me ver que a ficha caiu. Eu me toquei que era real e as lágrimas tomaram conta do meu rosto. Me despedi de você e mais lembranças começaram a surgir... Lembrei daquele reveillon que passamos juntos, com toda a galera. Teve também uma madrugada em que saímos pelas ruas do bairro comemorando o pentacampeonato do Brasil na Copa de 2002 até o amanhecer. Além das bagunças e diversões diárias dentro do ônibus, todas as tardes quando íamos e voltávamos da escola.

Me lembro perfeitamente de uma tarde, há pelo menos 10 anos atrás, onde eu estava na área de casa, me balançando na rede e ouvindo Vento no Litoral. Decidi ouvir alguns cds de Legião Urbana, já que você me recomendava e gostava tanto dessa banda.


Você era uma pessoa do bem. Sei que há esse clichê em sempre exaltar alguém quando ele não está entre nós. Mas isso não é uma falácia, você realmente era uma pessoa boa, valorizava a família e os amigos. Tinha uma personalidade que cativava fácil. Nunca vou me esquecer da sua voz meio rouca me dando conselhos e me chamando carinhosamente, dos seus abraços e da sua preocupação comigo.

Hoje encontrei uma foto nossa e uma música não sai da minha cabeça. Ainda está muito recente e concordo com Renato Russo quando ele diz: "É tão estranho, os bons morrem jovens. Assim parece ser quando me lembro de você, que acabou indo embora cedo demais."


para um grande amigo que foi embora cedo demais,
Mauri Carlos.

4 comentários:

Jéssica S. Guerra disse...

e como dizia o renato, em "só por hoje"
Viver é uma dádiva fatal!
No fim das contas ninguém sai vivo daqui mas -
Vamos com calma !

Sylara Silvério disse...

pois é... com muita calma.

R6 disse...

Lindo texto, anima-te, pois o amor, a amizade, continuam, seguem com o espírito e auxiliam no refazer de toda a nossa caminhada, do começo ao fim de nossas existências, tudo é transformação intensa, nascemos para sermos melhores e ajudar o outro a melhorar; encontrar os amigos de outrora; conhecer novos amigos para descobrir que esses laços são eternos se verdadeiro. O nosso pensamento é o nosso tesouro, nosso tesouro é onde está o nosso coração, e esse tesouro ninguém rouba, esse tesouro faz-nos refletir sobre o que realmente importa, não tenhamos medo: A vida prossegue nas duas dimensões da vida. Mauri, que os bons espíritos te auxiliem.

"Uma existência é um ato.
Um corpo - uma veste.
Um século - um dia.
Um serviço - uma experiência.
Um triunfo - uma aquisição.
Uma morte - um sopro renovador."

Sylara Silvério disse...

que lindo! obrigada pelas palavras, Renato =)