O texto de hoje é sobre você. Isso mesmo, você!
Você, jovem que se estressa com tudo. Se estressa numa intensidade tão grande que nem mesmo o estresse suporta e vai embora em pouco tempo. Tanto que em minutos está rindo loucamente das coisas que você nem se lembra mais porquê se estressou.
Existe esse histórico arquivado, que não é segredo nenhum para a sociedade.
Só que aí você decide mudar.
Você decide mudar mesmo após ter dormido três horas. Três míseras horas que foram usufruídas entre o fim da madrugada e o início de uma linda manhã de terça-feira. E realmente era linda: o sol estava forte, cheio de energia, colorindo as árvores e as ruas, dava-se para ouvir o canto dos pássaros. Você enxergou tudo isso quando se levantou subitamente depois daquele despertador - que tem como toque a música Prison Song de System of a Down - e olhou pela janela. Pensou: não há motivos para cara feia. Tomou, então, um banho nas carrêra. Era manhãzinha e, mesmo o sol estando à mil graus celsius, o clima é de friozinho. E como você não tem chuveiro elétrico, o banho nessas horas é meio que vapt-vupt.
Tudo estava indo bem, pois naquela manhã foi de carro para a faculdade, logo não precisou andar de ônibus num sol mazelento (sim, eu insisto em reclamar do sol). Sintonizou numa rádio em que pudesse ouvir boa música enquanto o vento batia no rosto. E nessa nóia matutina, esqueceu completamente do que ia fazer e para onde estava indo. Na sequência, lembrou que sempre se esquece de tudo e já começou a querer se estressar. Mas desistiu, pois o comercial saia para dar espaço a um Blues que teve efeito semelhante a uma jarra do suco Maracujina.
Depois de esculhambar alguns motoristas que faziam ultrapassagens sem sinalizar, percebeu que iria fazer uma prova pra seleção de estágio, no qual não tinha estudado absolutamente nada, e que com certeza ia se lascar. Chegou no destino, ativou o alarme do carro e subiu rapidamente as escadas do prédio porque tinha quase certeza de que estava atrasada.
Mas não estava. Foi a segunda pessoa a chegar e já ficou puta pois suou e se cansou desnecessariamente. Sabe-se muito bem que a moça já não é mais uma atleta e qualquer velocidadezinha a mais nas passadas faz com que a respiração fique ofegante e o coração acelerado (tem nada a ver com paixão, é caso de infarto mesmo). Mas olhou o lado positivo, sentou mermo debaixo do ar-condicionado para compensar o tempo de caminhada rápida e tratou de colocar o fone de ouvido, porque, deuzulivre socializar com alguém a essa altura do campeonato.
O auditório foi se enchendo aos poucos, a prova estava em cima da mesa e de repente pensou: que merda é essa?
Demorou séculos para começar a escrever dois textos e quando finalmente o fez, teve certeza de que tava uma bosta. Justamente por não saber fazer uma pauta e a questão 2 estar muito confusa. Fez de qualquer jeito e entregou a Deus. (não-literalmente, pois, na verdade, entregou a prova à fiscal)
Ao sair, o que te esperava era uma fila quilométrica. Mal sabia do seu destino, pobre garota de sapatinho colorido de listras. A verdade é que a chave do carro na mão esquerda era só pra se mostrar, porquê ela anda mesmo é de ônibus e tinha que trocar o selo do cartão de passagem que já passou do prazo de validade. E, como boa brasileira, deixou tudo pra última hora e o castigo foi justamente aquela fila. Mas não foi só isso, o castigo incluía ficar atrás de um menino - que provavelmente cursava algo na área de biomédica - que tava com uma catinga de macaco gigantesca. Mais uma vez o mizerávi do sol (torno a falar dele sim, mas e daí? ele é bem crescidinho e vai superar as críticas) afetando não só a vida do indivíduo, mas sim do coletivo. E aquela aroma de suor permaneceu por horas. Duas, mais precisamente.
De agora em diante já posso falar em primeira pessoa, porque você, leitor, não é nenhum minino e sabe que eu estou falando de mim mesma.
Foram quase 136 minutos ali. Para me entreter, suguei a internet da Claro no meu celular pra ver notícias sobre a política do estado e enviar tweets dos mais bestas possíveis, publicados intencionalmente para distrair quem estava em casa. Mas aí lanço a pergunta: eu obtive algum retorno? E a reposta é sim. Por sorte havia aquele rapaz do setor II que sempre aparece pelos corredores e que tem uma barba charmosa, e mais: era proprietário de um par de panturrilhas pomposas e bem desenhadas. O fato é que sou estranha e admiro panturrilhas (masculinas). Graças ao metal, hard core e músicas de malokeros da high society - que rolava no fone de ouvido - muito bem ilustradas pelas panturrilhas e barba charmosa, aquelas duas horas passaram mais felizes. Ainda tentei mergulhar no texto de Sistema de Comunicação Pública dos EUA, mas o método audiovisual era mais interessante.
Cheguei em casa, o relógio marcava 14h30 e eu ainda não havia comido nada. Exceto os farelos de club social tradicional, que encontrei dentro do carro, e só Deus sabe a quanto tempo estava lá. Mas quem se importa? Vamos se concentrar no lance de ser positivo!
Entrei no chuveiro e pouco me importei com a merda do planeta. Tomei um banho gelado por minutos incontáveis (na verdade foram 15 minutos e 45 segundos, mais ou menos). Lavei bem o cabelo, li as informações da embalagem, condicionei meus fios para que eles pudessem aproveitar o dia mais feliz. Assim como eu. E mais: fiz hidratação. Após o banho, enrolada numa tolha branca, separei cuidadosamente as mechas e apliquei o creme no cabelo enquanto assistia Karatê Kid do novo, que tem o filho de Will Smith no elenco. Foram momentos únicos. Ria como se não houvesse amanhã.
Depois de alimentada, era hora de enxaguar os cabelos. O fiz. Me arrumei para ir à faculdade e o destino milimetricamente começou a me trollar novamente, pois a verdade é a seguinte: não importa a hora que eu saia de casa, pra onde eu vá, com quem eu esteja... não importa nada, qualquer alteração na face da terra ou alguma dessas tolices. Sempre que eu chegar próximo à parada, o ônibus passará por mim. E passará numa velocidade tal qual a da luz. Só dá para ver as palavras turvas na lataria do ônibus: Via Sul.
E a via é do sul mesmo, seu demônio.
Vá descendo direto pro inferno que lá é seu lugar.
E lá se foi a merda da minha paciência de novo.
3 comentários:
UUUwwwwoooonnnnnn
Boe Sylara, sem estresses!!!
Fale baixo.
KKKKKKKKKKKKKKKKKKK
Carlitoz greoso (L)
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