17 de outubro de 2010

Eu não quero mais tentar. Sempre que isso acontece, eu me lembro de que posso fracassar. Por isso tenho uma certa aversão a qualquer tipo de mudança. O comodismo me parece ser bem mais prático. Eu sei que “há males que vêm para o bem”, mas a questão é: quanto tempo leva até esse “bem” chegar? Essa espera pela conquista, esse desejo de que tudo dê certo imediatamente; é estressante. Também possa ser que a preguiça desestimule esse esforço para que tudo dê certo. Esse pensamento não é bom, não é nada animador. E o mais contrariante de tudo é que, teoricamente, eu sei quais são os pensamentos e ferramentas pra fazer tudo dar certo. O problema é o meu cérebro associar isso; é ele me fazer agir.

Às vezes eu até que me esforço, penso, tento. Mas qualquer empecilho que houver, já faz com que toda aquela força de vontade desmorone. Como é que vou conseguir alguma coisa assim? Porque eu sou capaz. Andam dizendo por aí que todos são capazes. Eu quero acreditar nisso, mas não consigo. Nem todos são capazes. E nessas vezes que tento, eu tento de verdade: faça um esforço, crio coragem, auto-estima, força de vontade. E, quando chega na hora H, fracasso. Mas pensando bem, muitos que hoje conseguiram, antes fracassaram bastante. Se eu seguir esse caminho, talvez dê certo. É isso aí! Eu vou chegar lá!

Ok. Só que, lá aonde? Eu não tenho certeza para onde quero ir ainda. Qual minha meta? Qual meu sonho? Eu realmente tenho que ter alguma meta? Não gosto dessas responsabilidades. Não quero decidir tudo agora. Não tenho permissão para decidir a minha vida com apenas 22 anos. Eu me proibi de fazer isso. Eu não tenho o direito de jogar toda essa responsabilidade em cima de mim nesse momento. Não preciso tomar todas as decisões importantes agora. Eu ainda tenho muito tempo, eu posso querer mudar depois. Não posso? E então, o que faço agora? Em quem eu posso colocar a culpa de eu ainda não ter metas? Não quero essa culpa pra mim. Ela é pesada.

Agora eu quero pensar. Mas não nisso, não em mudanças. Não quero me arriscar. Não quero ser o que as pessoas esperam que eu seja. Sem pressões, por favor. Eu quero me descobrir, saber quem eu sou. Eu quero poder ser eu mesma. Com essa descoberta, talvez eu consiga traçar planos, ter menos medo que possa vir. Nem sei se essa vida vai me permitir fazer tudo aquilo que acho que quero fazer. Tampouco sei quanto tempo eu tenho. Se ao menos eu soubesse o que eu quero, seria mais fácil decidir. Preciso de mais tempo.

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