23 de agosto de 2011

Bastou somente eu ir no armário pegar 16 folhas de papel pra imprimir os textos da universidade e o cheiro da resma tratou logo de me causar uma nostalgia avassaladora.

Por volta de 1900 e alguma coisa, nos tempos do ensino fundamental, havia aquela ânsia pela volta às aulas. Era um misto de saudades dos amigos, vontade de conhecer os novos, sede por aprendizagem (tá bom, nem tanto assim) e o mais importante: a compra o material escolar.

O ápice da felicidade escolar sempre chegava em Janeiro de cada ano. Não havia nada melhor do que ir para o Alecrim ou Centro da cidade - mesmo estando super lotados - em busca de livros e todas as bugigangas. Nem mesmo o calor dos infernos da minha bela Natal boicotava essa alegria.

Eu entrava nas lojas e não sabia nem por onde começar, as dúvidas começavam a surgir: caderno ou fichário? Canetas coloridas com aroma ou a tradicional Bic azul e preta? Lápis do verde (que entorta) ou aquele que tinha tabuada do 1 ao 10? Borracha branca com capa verde-lodo ou daquelas que apaga tinta de caneta? Corretivo líquido ou o que parecia fita adesiva? Se eu pedisse ajuda a mainha, ela sempre respondia: o mais barato, menina! E isso não era nenhum pouco empolgante. Ela não entendia que a escolha do material correto me traria maior segurança durante todo o ano letivo.

A procura dos livros didáticos também era divertida! Gostava de sentir o cheiro do novo, ansiava pela capa que me cativasse e tinha certeza que as ilustrações mais interessantes eram as do livro de Estudos Sociais. E quando eu chegava em casa, depois de toda aquela aventura, era hora do momento mais legal de todos: encapar os livros e organizar as canetas dentro do porta-lápis do desenho animado que mais bombava na época.

Com isso, eu passava o resto do dia dentro do meu quarto, colocando aquelas capas de plástico transparente com bolinhas - geralmente nas cores rosa ou branca - nos livros; na sequência etiquetava cada um com meu nome, série e colégio. Tinha também a parte de escrever meu nome e o das matérias no caderno, além da raiva de ter que deixar o nome dos professores em branco. Sempre quis deixar tudo preenchido, a aquela ansiedade me matava. E claro, me acompanhando nessa jornada, não podia faltar o biscoito recheado e o ki-suco de tangerina.

O tempo foi passando e tudo isso foi perdendo sua importância. Hoje em dia as aulas começam todos os semestres e manter esse hábito é economicamente perigoso, só pra começar. Fora que cadernos não são mais tão usados e as canetas, coitadas, estão perdendo o seu valor. O computador é bem mais prático e as xerox estão sobrevivendo só para não deixar esses tempos de outrora se perderem completamente.

Como sou meio saudosista, mantenho meu caderno de uma matéria só da Moranguinho há dois semestres. Mesmo que eu não o use tanto assim, ele está lá. E o cheiro de morango também.

3 comentários:

Érika Mello disse...

Adorei!!! Sempre foi o meu momento do ano preferido, comprar o material escolar, olhar os livros página por página, me assustando com o que de difícil estaria por vir (principalmente em matemática ahahaha). Tempo que não volta mais!!

naty bezerra disse...

bom era quando agent ia mostrar uma pra outra o material que agent tinha comprado!!! :D

Sylara Silvério disse...

é verdade Natally! era massa demais essa época =)