22 de agosto de 2011

Quem dera meus olhos fossem uma objetiva da Nikon mais nova do mercado. Queria poder registrar tudo ao meu redor; fotografar as mais belas expressões, filmar o encontro da água do mar com o Trapiche e capturar os poucos segundos de certos olhares das pessoas mais erradas.

Quando me sentei de costas pro porta-luvas do carro e, deitada, pude ver o céu naquela madrugada de quinta-feira através do pára-brisas; filmei o movimento das nuvens e o pisca alternado das estrelas, além de toda aquela conversa aleatória entre novos e velhos amigos.

A última semana de Julho merecia ter sido documentada em vários de seus momentos. Algumas das inúmeras gargalhadas, dos carinhos, da cumplicidade e dos desejos que ficaram no ar não foram clicadas naquela câmera emprestada. Situações que passaram despercebidas pelos olhares da maioria, mas não de todos, pois houveram alguns que observaram cada mínimo detalhe de tudo que se passava por ali.

Talvez fosse divertido compartilhar esses arquivos em .avi ou .jpeg com todos para podermos ver as diferenças de olhares. Mas, por outro lado, isso me soa bem perigoso. Com certeza haveriam situações íntimas onde eu jamais gostaria que viesse a se tornar pública. Sempre há.

Nem todos veem as coisas da mesma maneira. E é por isso que cada um deveria ter onde guardar seus registros além dos próprios pensamentos. Porque alguns pensamentos acabam se esquecendo de minuciosidades importantíssimas, os pensamentos as vezes necessitam de ajuda para lembrar daqueles momentos, por mais que estes sejam inesquecíveis.

A merda é que vivo nessa era digital e tudo pode mudar totalmente em qualquer instante. E ter todas essas situações devidamente organizadas nas prateleiras mais próximas do meu aparelho DVD com certeza me deixaria bastante feliz.

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