30 de outubro de 2012

"Falar sem parar não é necessariamente se comunicar".

Quando Joel proferiu tal frase a Clementine em umas das fantásticas cenas de Um Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças, me identifiquei no ato. Ser tagarela não é se comunicar, reclamar a todo instante sobre qualquer coisa não é forma de protesto nem tão pouco aquele clichê de "ah, eu não tenho medo de falar o que penso", rir e fazer piada sobre tudo não significa ser simpática e extrovertida. Tudo isso tem um único nome: insegurança.

Superlativamente eu vou levando a minha vida numa tentativa de deixá-la mais atrativa e tingi-la de azul. Antes, tudo era bem mais tranquilo, apesar de nunca ter sido fácil. Há exatos dois anos comecei a me ocupar com coisas que eu tinha apreço. Enfim fui descobrindo o que me dava prazer e o que eu realmente tinha afinidade. O mundo virou do avesso e naquele instante tudo fazia sentido. Estava claro onde era o meu lugar e pelo o quê eu deveria lutar.

Talvez o egoísmo criado como um filho dentro de mim por vinte e quatro anos, me fez enxergar mais claramente as coisas ao meu redor. As readas na cara que são dadas quase que diariamente - aliás, de hora em hora igual ao resultado parcial da Telesena - já deixaram sua marca e seu recado. Na minha opinião, elas já podem partir.

Forças superiores (ou seriam inferiores???) agem loucamente. Parecem trabalhar em regime escravo, como se não houvesse amanhã, só produzindo e fomentando a maldade e a destruição pessoal de uma mera estudante que tenta apenas concluir o semestre. Estar literalmente no meio do curso exige uma provação divina ou de macumbeiros. Com certeza isso está no regulamento da Universidade, só que essa minha mania de não ler as coisas direito acaba me prejudicando em tal ponto de não saber o quê vai me foder futuramente.

Estar cada vez mais próximo do trigésimo aniversário não deveria ser diretamente ligado a espinhas em quase toda a face. Lembro que isso era problema dos pré-adolescentes. E quanto as olheiras fixas? Já vivaram funcionárias públicas dos meus olhos e não são expulsas, independente do que façam para atrapalhar o sistema (imunológico). A tevê que serve para o entretenimento ou apenas como abajur - deixá-la ligada no mudo antes de dormir é bastante útil - foi comprada com os suados reais daquele trabalho em loja de shopping. Faz um certo tempo que me envolvi nesse tal regime comercial de arrecadação monetária. Os eletro-eletrônicos são feitos para não durarem e esse meu reprodutor de comunicação audiovisual já está com seus dias contados. Nem comento sobre aquele notebook que foi comprado em suaves prestações com um prazo esticado, retirando 40% daquela renda mensal que girava em torno de menos de 50% de um salário mínimo, e que hoje em dia o tal aparelho nem dá mais as caras.

Toda a bagunça das roupas sujas misturadas com as limpas, passadas e bem dobradas, que fazem um amontoado de não sei o quê e impede a visão da mesa que até um dia desses continha livros, cd's e revistas, reflete diretamente na arrumação da vida acadêmica. Nada mais é explicável dentro do Campus. Só há testes, testes, testes e mais testes. Estou sendo reprovada em todos. Todos. A única matéria que não consegui escapar foi a de paciência. Descobri uma disciplina que eu não fazia ideia que bombeava por minhas veias sanguíneas, vi que sou capaz de fechar os olhos respirar mais fundo e sentir a calmaria entrar pelos pulmões. Uma pena que nem sempre esse método se torna eficaz.

Então todas àquelas palavras acabam transbordando pelos meus lábios. Falo sem parar, cada detalhe do meu dia, para a pessoa mais próxima de mim. Quando inicio a primeira frase o botão do egoísmo é ativado, fazendo com que tudo ao meu redor se torne menos importante que a minha situação naquele momento. No fim, as lágrimas sempre transbordam dos meus olhos e o cansaço vence.

Até que o dia amanhece e começa tudo de novo.

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