12 de dezembro de 2012

Existem poucas coisas que me dão sono involuntariamente. Uma das principais causas desse desmaio repentino é a biologia. Eu até acho lindo quem conhece sobre o corpo humano além de cabeça, ombro, joelho e pé, ou até mais: olhos, ouvidos, boca e nariz! Mas, assim, é só admiração mesmo.

Pior que a biologia inteira, é assistir aulas durante toda uma manhã sobre tal assunto, uma aula de Patologia que, ao contrário do que eu imaginava, nada tem a ver com medicina veterinária. Muito foi falado sobre fosforilação, reperfusão, hematopoético, linfoide e muitas outras coisas indecifráveis que só me faz dar pescadas, e que eu tive de me controlar para não dormir naquelas cadeiras azuis, de plástico e desconfortantes. Tudo isso porque eu tive que ficar de olho no rec e procurar compulsoriamente por uma tecla SAP inexistente.

Sempre que aquele candidato à professor, branquinho, com início de calvície no meinho da cabeça, jaleco e sapatos brancos falava sobre "radicais livres", eu fazia uma ligação direta com a suposta apologia dele aos anarquistas em potencial, queimadores de busão de protestos e perpetuadores de greves de três meses ou mais. Acreditei que ele desejava que todas essas ideologias e ações radicais pudessem ser praticadas livremente. 

Sqn.

Me vi literalmente sonhando, entre um slide com figuras de células e coisas microscopias e outro. Dei um cochilo de menos de 1 segundo, que me permitiu ter viagens, alucinações ou um outro defeito biológico de fábrica que esse menino com cara de médico poderia me diagnosticar depois.

Médicos têm cara de médicos. Todos eles.

No mundo dos brancos generalizados (roupas e cor de pele também ok), existem os morenos. Este daqui tem barba meio que quando tá crescendo, óculos de armação sutil e um buchinho (é com "x" ou "ch" gente? das duas formas, a palavra ficou com o vermelhinho sublinhado no Word) de cerveja em construção. A postura desse camarada na cadeira, enquanto aguarda o momento de dar sua aula teste é de uma naturalidade fora do comum, tem leveza ao falar e olhando bem, ele tem é cara de indiano.

Eis que surge a segunda pessoa a falar de "Distúrbios de Líquidos II". Coitados. Esse assunto é tão complexo pra mim quanto é para os próprios líquidos. Até porque esse negócio da Lei Seca, que incentiva as pessoas a não beberem enquanto dirigem, causa um desfalque de consumo dos líquidos no geral. Mas como assim? Imaginem a quantidade de carros que tem na cidade, no estado... no país! Pensem em São Paulo e toda essa imensidão de gente sem ingerir líquidos alcoólico enquanto dirige. É gente pra caralho, não é?

Tem o outro lado também: nem todos tomam bebidas alcoólicas, correto! Mas tem um lance que todos usufruem, independente de cor, raça ou religião: a água. A água vai acabar. E isso preocupa os líquidos que necessitam dessa matéria-prima para produzir qualquer outra coisa tomável. Como, por exemplo, a Coca-cola e o Toddynho. E isso, meus caros, realmente pode causar distúrbios num líquido.

A professora avaliadora, que é bem simpática, por sinal, se preocupou em saber meu nome e até o significado dele. Ela disse que gosta de saber dessas coisas. Tive de repetir, por que não tem um ser humano que entenda meu nome de primeira. Mas tudo bem, já me acostumei.

Ela me viu escrevendo nessas três aulas e achou inusitado, acreditou piamente que o meu interesse pelo tema era tamanho que necessitava de anotação da minha parte, para um relatório futuro. Mas riu decepcionada quando eu disse que, na verdade, eu não estava entendendo era merda alguma. Claro que tive de manter a classe:
- O que você está achando das aulas? Vi que tava anotando umas coisas.
- Ah não professora, estava escrevendo besteira. Quem dera eu pudesse ao menos compreender alguma coisa do que foi falados por eles.

Rimos juntas. Ela ainda tentou me explicar algo, mas foi em vão, tendo em vista o quão alheia eu sou nesses assuntos. Não sei nem o que tomar pra dor de cabeça quiçá compreender que caralho era a placa ateroscleróticas ulceradas. Antes da última apresentação, todos a vontade, foi lançado o desafio ao candidato: se fizer a menina entender ao menos uma vírgula, já passou direto!

Fim de todas as apresentação. Se dependessem do desafio, estariam todos reprovados.

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