A vida é bem isso mesmo, você quer fazer várias coisas novas. Muitos têm a vontade de mudar o mundo, outros de mudar sua própria vida e alguns apenas mudar de endereço.
Eu quero mudar o mundo, minha própria vida e o endereço. Empiricamente, vou enxergando que não posso conseguir isso tudo. Pelo menos, não ao mesmo tempo. Tenho de escolher entre um e outro. Tenho uma mania terrível de tentar fazer bem feito o que eu inicio. Tenho uma mania mais esdrúxula ainda: fazer tudo só, se eu notar que quem estaria comigo, não entra de cara tanto quanto eu.
Tudo isso pode ser visto como egoísmo da minha parte. E é mesmo. Mas, mais do que isso, é uma tentativa de mostrar pra mim mesma que sou capaz. Me culpo por certas coisas que deixei de fazer e aprender no passado, e tento resolver tudo de maneira prática e rápida hoje em dia. Só que não dá. É humanamente impossível. Eu tenho muitas vontades, muitos desejos, e simplesmente não posso realizá-los imediatamente, nem muito menos sozinha.
Retomei as leituras. Gostaria, agora, de retomar com minhas escritas. Mas quero fazê-las sem pressão, sem temas obrigatórios, sem necessidade de serem explicados na sequência. Quero escrever para ninguém ler, quero ler para não debater. Quero fazer tudo por mim, me preocupar mais comigo. Quero poder escrever de madrugada só de calcinha e camisa folgada, publicar meus textos e ler os jornais da cidade - ainda tarde da noite, quando eles ainda nem foram entregues nas bancas - e deitar na minha cama velha, dando um abraço apertado nele que acompanha meus estresses diários e me acalma com uma voz macia e palavras reconfortantes.
Quero tomar de volta a liberdade de me preocupar com certas causas apenas quando me for relevante, e não por obrigação, pois eu acredito que os produtos só saem com qualidade, quando feitos com paixão e dedicação. Gostaria de poder encher esse espaço virtual de palavras sem sentido com mais frequência, sem deixar de fazê-lo pela desculpa esfarrapada da falta de tempo. Por que eu sei que é disso que eu gosto, que é disso que eu preciso.
Puxarei do final da pilha de livros, aquele antigo que tanto me ajudou a colocar pra fora essa vontade incontrolável de escrever. Retomarei, quem sabe, aos meus vômitos verborrágicos de três páginas diárias matinais, apenas para suprir minha necessidade de escrever com caneta e papel, e tentarei com todas as minhas articulações cerebrais e corporais, logar aqui nesse espaço que já se parece tanto com minhas madrugadas.
Com uma verdadeira paixão sendo recriada em meus olhos e a sensação de uma máquina fotográfica em minhas mãos, posso fazer com que eu realize um dos meus desejos mais antigos e amargurados, de uma vez por todas. Agora, o desejo está mais completo e cada vez mais real.
Não vejo a hora de poder me desprender de obrigações que não me levam a lugar algum e me jogar ao lado dele, dentre um fusca, dirigindo pelo litoral e fotografando a gente, o mar, as ruas, as pessoas, os momentos. Vivenciar certas experiências, ter conversas inusitadas, observar sorrisos, apreensões e qualquer outras expressões espontâneas alheias que gerem uma crônica ou um texto qualquer.
Tudo o que eu gosto não pode ser realizado agora, mas, tudo que eu quero de verdade, pode sim.
Tudo o que eu gosto não pode ser realizado agora, mas, tudo que eu quero de verdade, pode sim.
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