O que eu fiz de errado e com quê eu gastei meu dinheiro?
Tá, tudo bem que eu nunca tive lá esses dinheiros todos - tô falando d'eu, sozinha, ganhando por conta própria - nem mesmo meus pais ganham essa ruma de grana e doam a sobra para eu comprar meus objetos de desejo irracional. Coitados desses pobre fodidos, que são ricos apenas de amor no coração.
Muitas das coisas que eu gosto mesmo, são recentes. Quer dizer, não é que o gosto seja recente, mas a afirmação do meu real estilo surgiu a pouco tempo. Meio que tudo de interessante na minha vida foi a pouco tempo. Acho que antes desse tal "pouco tempo" tudo estava no stand by, tipo o piloto automático que Michael Newman vivia no filme Click, quando usava o controle de aceleramento. Sendo que, no meu caso, é o de atrasamento (????).
A verdade é que eu sinto uma inveja ao adentrar nos lares alheios e ver todas aquelas coisas. Não que haja uma ostentação entranhada em meus poros por belíssimos carpetes felpudos, mesa de jantar com cadeiras altíssimas, aparelhos televisivos de tamanhos infinitos, corrimões ou espelhos gigantescos numa parede aleatória no meio de um corredor avulso. Os objetos de desejo são outros bem diferentes.
Tenho consciência que sou desorganizada com minhas coisas. Mas tenho também plena consciência do que eu posso ou não, ter. Há tempos fiz uma escolha, entre viver ou trabalhar escravizadamente para sobreviver. Venho curtindo várias coisas interessantes e adquirindo outras tantas vontades. Julgo muito as pessoas pela aparência e pelos bens materiais.
Julgo mermo e não vou mentir, nem vem que eu sei que você também faz isso.
Se uma pessoa que, aparentemente não trabalha, tem vários acessórios musicais e audiovisuais, mesmo não utilizando o segundo (ou, pelo menos, expondo seus produtos) de maneira qualitativa, eu já acho estranho. Pessoas assim, geralmente, têm três carros na garagem e outros tantos trios de coisas não tão baratas penduradas na parede do quarto. Pode até ser que elas não tenham uma vida emocional muito tranquila, mas é fácil pré-julgar que a financeira vai muito bem, obrigada.
Enquanto isso, vou vivendo sentido invejas brancas, roxas, rosas e verdes. Já tive várias provas de que as coisas vêm pra mim de modo tardio, sempre sou a retardatária das situações, mas vi muito bem que elas sempre vêm nas melhores épocas.
Meu tempo está chegando e sei que vou ter uma série de coisas invejáveis espalhadas pela minha própria casa. Um lugarzinho com um jeito tão meu que vai causar inspiração em outros seres humanos . Daqui pra lá eu acharei outra coisa pra reclamar.
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