eu não sabia que poderia dar um tíute. eu não sabia que ia ficar mufinando pelos cantos. não sabia que esse negócio de férias era tão necessário assim. é incrível como eu não sei de nada.
diariamente estou aprendendo coisas novas. isso é natural. o mais incrível é que, por mais que você a cada minuto saiba de coisas diferentes, cometa novos erros, viva sensações distintas; você enxerga o quanto não sabe absolutamente nadica de nada da vida.
férias não é somente aquele afastamento merecido do trabalho, conquistado após longos 12 meses de trabalho intenso, assegurado e remunerado pelo INSS. as férias que me refiro são aquelas da vida. férias de pessoas, de rotinas, de trânsito, de um mesmo horário para acordar, de uma mesma linha de raciocínio a seguir.
minha casa reflete minha alma. nunca fui Amélia, nem tenho tal vocação. mas, poxa! como adoro arrumar a minha casa. deixá-la limpa, cuidar das plantas, avivar suas cores, organizar meus objetos que guardo com tanto zelo. aqueles poucos metros quadrados do apartamento é minha representação em detalhes.
não poder cuidar desse espaço, das luzes, nem tampouco observar com mais frequência aquele amarelado que pinta a janela e a parede da área de serviço a cada fim de tarde, me dói. deitar no chão e ouvir música, assistir tv enrolada no lençol vestindo minha roupa de dormir no auge das 15h da tarde me faz falta.
mais uma vez me perdi, me desencontrei. não sei mais o que almejo nem onde quero chegar. as pessoas me decepcionam cada vez mais e me motivam a conviver com elas cada vez menos. preciso me encontrar de novo. minha vida é uma eterna busca em saber quem eu sou e para onde quero ir. talvez essa definição nunca seja encontrada. talvez eu seja essa eterna busca de querer me encontrar e ponto.
nem me lembro mais do quanto me esqueço de tudo. por isso vivo tão intensamente cada minuto de angustia ou de felicidade. porque sei que é só ali que vou sentir, depois não mais lembrarei de suas sensações. vou findar me tornando uma velha môca, esquecida e introspectiva.
me deixa sentir esse não-sentir, me deixa lembrar desse não-lembrar.
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