não sei bem o que fazer da vida. são infinitos os textos filosóficos e mensagens de auto-ajuda que você lê durante a faculdade sobre como você fica perdida depois que se forma e nem imagina que este fardo cairá nas tuas costas mais cedo ou mais tarde.
quer dizer, não sei se fardo é a palavra correta. afinal, faz pouco tempo que me formei e ainda não dá pra fazer um relatório completo e detalhado sobre minha situação.
tudo isso se torna complicado porque sempre achei que sabia muito bem o que estava fazendo e acreditava piamente o que estaria por fazer agora. o fato é que eu não me lembro bem o que eu estava pensando há um ano atrás.
claro que existe aquele companheira e fiel falha na memória, que já tornou minha existência bem mais confortável na terra; mas tem também a parte em que é bem provável que eu esteja me sabotando mais uma vez.
outro dia me peguei pensando que deveria bordar. veja só que audácia: eu, que nunca tive o menor dom ou vocação para tal coisa, querendo bordar. mainha até que tenho me ensinar crochê quando eu era pré-adolescente (esse termo me dá agonia). e eu até gostava. mas nunca passei das trancinhas e não cheguei perto de fazer um babado bonito em um pano de prato sequer. apesar de achar tudo aquilo muito belo, a agulha fazia calo no meu dedo e ele já era tão feio e ossudo, que não queria estregar mais o pobre coitado.
mais pia, agora eu bordo. ou, pelo menos, provei pra mim mesma que posso bordar se eu quiser. na mesma hora que me deu a vontade peguei 12 reais, fui num armarinho aqui do bairro e comprei dois paninhos, duas linhas e duas agulhas de ponto cruz. em menos de uma semana já estava levando jeito. comprei mais material e me desembestei pro bordado livre ~~ que me atrai só pelo nome ~~ mas que também tem uma boniteza muito atrativa na sua feitura. agora conheço termos como etamine, arremate e bastidor. isso por si só é fantástico.
em dois meses consumi todo o meu tempo para aprender um pouco sobre essa arte e acho que até fui bem. mas aí sinto que estou entrando na fase de não gostar mais. o que é uma pena, já que se eu continuasse sairiam coisas ótimas. só que cismei com outra coisa: quero voltar a fotografar.
tinha largado essa minha paixão por motivos totalmente desconhecidos e isso mexeu comigo durante muito tempo. pode ser que a obrigação de fazer isso por dinheiro e de forma bem comercial tenha desencantado todo aquele amor construído durante anos. pode ser que eu tenha me sabotado novamente para poder encontrar prazer em outras paixões. pode ser apenas que eu tenha abusado de tudo e pronto.
todo esse lenga lenga percorrido no caminho me fez ter necessidade de outro tipo de experiência fotográfica. a câmera se tornou muito grande, a troca de lentes se tornou cansativa e o tamanho da máquina se tornou exaustiva e espalhafatosa. lá vai eu agora querer entrar na modinha das mirrorless e criar a necessidade de comprar outros equipamentos para satisfazer meus desejos momentâneos.
mas eu não sei bem o que estou fazendo. pode ser que dê a doida e amanhã de manhã as coisas mudem. posso criar outra paixão ou até mesmo arrumar um emprego de carteira assinada.
mas eu não sei bem o que estou fazendo. pode ser que dê a doida e amanhã de manhã as coisas mudem. posso criar outra paixão ou até mesmo arrumar um emprego de carteira assinada.

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