17 de janeiro de 2014

as horas aqui estão passando devagar desde ontem, apesar de eu sair mais cedo desde ontem.

isso deve ser uma agonia completa porque está sintonizada com a hora do acordar, que vem antes do horário, antes do despertador. o sono se tornou finito dois dias atrás, logo após eu ter tomado um comprimido para dor de cabeça na noite anterior da manhã passada.

engraçado - mas não risível - é que nas duas noite anteriores à tomada do comprimido, as dormidas eram longas, as horas se passavam numa velocidade absurda e quase nenhuma divagação se completava pela falta do tempo. nem lembro ao certo o que eu fazia na cidade ou em casa ou no trabalho, além do usual e do necessário. eu lembro que desde às sete da manhã eu solicitava a soneca do despertador a cada dez minutos, até que às oito eu acordava, finalmente.

eu não queria ir e logo vinha embora. 

na manhã de antes de ontem eu quis acordar logo. ainda apertei a soneca na tentativa rotineira de prolongar mais o sono, só que não deu certo. porra, levantei rapidamente! me agoniei só de pensar em ficar ali deitada. a chuva de dez longos minutos logo passou e o frio nem veio, deixando aquele sol bonito entrar na janela que teima em ficar aberta todas as noites ao dormir. bom momento para tomar banho, se arrumar, tomar um gole d'água e sair de casa em quinze minutos.


eu fui e tudo aconteceu no mesmo e na mesma velocidade de sempre; com exceção dos ponteiros que fazem a hora passar. de repente tudo foi feito e a metade do tempo ainda estava livre. esse tal tempo que tantos querem para si estava de bobeira circulando por aí e nem foi aproveitado. só teve a imposição rotineira de não fazer nada, não se concentrar, não pensar em agir nem nada.

mais pra quê? às vezes nem esse mais é tão necessário.

9 de setembro de 2013

vou me escondendo por aqui, é o melhor que eu faço.

aliás, "o melhor que eu faço" é uma frase meio que subjetiva, digna de várias interpretações e conclusões. o que é o melhor que eu faço? o que venho fazendo de tão bom?

essa merda mais parece um diário de uma menina buxuda que não diz nada com nada.

basta apenas dar um apagão de 10 minutos que tudo dá um branco. que tudo fica branco quase que transparente, deixando claro que as coisas não estão sendo postas em prática. que são muitas coisas que querem sair do canto mas que a falta de memória (porra, essa maldita falta de memória de novo) corrói tudo por dentro.

crise por cima de crise, atrapalhando tudo de bom que um dia foi planejado e desestimulando as poucas coisas que têm pra dar certo por essas bandas.

acredito eu que esse aperreio mental constante pode vir justamente da falta de um canto específico, de alguns metros quadrados com minhas cores, meus valores, minhas ocupações e meus vazios.

por favor, alguém me tire daqui.

15 de agosto de 2013

quando eu decidi abandonar, não foi proposital.

sabe quando você vai vivendo a vida normalmente e as coisas vão se ajustando de tal maneira que não tem como continuar carregando certas coisas na bolsa? não que essas coisas pesassem. não é isso. é que tinham mais objetos para carregar para um lado e para o outro e, inevitavelmente, outros tiveram de ficar no guarda-roupas.

pesado mesmo é saber lidar com o que você sempre quis. caminhar na direção que você julga estar certa e te satisfazer, requer, necessariamente, deixar pegadas no caminho.

estou aprendendo poesia. mas é daquelas que não se escreve, não se fala, nem se fotografa. nem muito menos se fotografa. é uma poesia só do sentir que tem a consistência de um vento forte ou o som de um beijo no rosto. nem cabe mais ficar falando sobre uma memória que não há, porque essa afirmação já é tão demodê... o que cabe agora, é tudo.

a caixa de papelão de achados e perdidos tá só crescendo. toda vida foi assim, porque agora haveria de ser diferente? toda vida eu tive esse negócio de ir conseguindo conquistar o que eu queria, ou achava que queria. vivi tão intensamente tantas das coisas que hoje me injetam para uma outra força. me vejo no meio desse puxa e trás de cordões coloridos e resistentes, e eu como uma doida do pão sem saber bem pra onde ir, mas querendo ficar nos dois cantos.

só que eu não vou para os dois lados, nem vou ficar mais destilado. vou pro lado de lá e levo comigo o que eu puder.


11 de agosto de 2013


Como eu não me sentia antes. Talvez até tenha sentido em outros momentos. Inclusive, eu possa ter sentido ontem a noite, antes de ir dormir. Só que eu não sei, não lembro.

Eu não lembro de nada. Da mesma maneira que não sei como dizer nada, nem sentir, nem expressar. Nem expressar. Quem não consegue se expressar? Só alguém como eu, que não lembra como sentir.


Já ouvi várias músicas, vi inúmeros filmes, a todo instante vejo fotos, leio nomes, escuto histórias. Sempre que tento repetir alguma ação sinto tudo como se fosse a primeira vez, como se as vezes anteriores não tivessem existido. E é bem isso, já que eu não lembro onde ouvi, onde li, onde cantei.

Fica tudo dentro de mim, guardado, tumultuado e entulhado.


De repente eu sinto que já senti aquilo, mas não sei explicar exatamente o que é. Sinto que já ouvi aquela canção mas não faço ideia de onde.

Sou um depósito de sentimentos aleatórios. Ao menos são sentimentos bons, que me fazem sorrir e que me animam a cada manhã. São coisinhas que perpassam pelo meu corpo e fazem com que eu me levante pela manhã e queira fazer aquilo que eu mais gosto e não sei como fazer direito. Não sei dos detalhes, do aprofundamento, de nada. Só sei que sei. Ou, pelo menos, que deveria saber.


Acredito que isso um dia vai acabar me matando. Um dia vai dá um pipoco na minha cabeça e tudo vai parar de funcionar.

O aperto no meu coração quer explicar tudo o que está acontecendo aqui, mas não consigo escutar. Só consigo escutar essa folk latino-americano que está tocando no soundclound, e que não sei como veio parar aqui. Sei que cliquei num link, em algum canto da internet. Não sei de muita coisa mais.

Com medo de achar a resposta, talvez acho melhor não revisar nada.

Só justificar esse espaço.

23 de julho de 2013

São muitas novas informações. É uma misturada de consoante... São letras juntas que formam um roteiro que saem novas canções. 

Continuo sem compreender tais notas, assim como também não entendo muita coisa. Muitas das quais eu normalmente entenderia. Mas, afinal, pra quê querer entender de tudo?

Não entender é melhor! Estar confuso é esclarecedor, é dominante, é instigante. Ficar num estado de incompreensão te faz enxergar tudo de uma nova perspectiva.

É como se fosse uma consulta no oftalmologista.

Você chega na sala do cara de jaleco branco e de móveis legais. Ele te manda ver umas letrinhas miuidinhas. Umas letras soltas, aleatórias. Consoantes, em sua maioria. Que, se juntar, forma um roteiro pra tocar com a banda de você sozinho.

Você vê isso, chega com os seus mesmos olhos de sempre e acaba saindo com outros olhos. Que enxergam as coisas que você não compreende e te faz entender o que não está claro.

Outras formas.
Outras calmarias.
Quase nenhum aperreio.

Agonia? Vixe, tem mais não ome. E até tem, mas quem lá se importa? Eu não. Hoje em dia, não mais. 

Surge o problema no alternador do velho carro novo que para de funcionar repentinamento e não te dá outra alternativa, senão ficar nesse alto, olhando bem lá na frente as luzes brancas que vêm e as vermelhas que vão, o amarelo do poste que ilumina os chãos e o azul escuro que serve de plano de fundo para uma pequenina tímida lua.

Ô. Isso não é ruim não, meu sinhô. Tem até gente por aqui que seguiu o roteiro das letras e formou novas músicas.