16 de setembro de 2010

Shopping. Um bom lugar para observar as pessoas e suas diversas maneiras de agir. Experimente sentar em um banco de shopping; os seus vizinhos vão mudar com frequência e, consequentemente, seus comportamentos também.

É interessante como as pessoas agem quando acham que não estão sendo observadas, ou quando agem para serem observadas de qualquer maneira. Eu paro, presto atenção e até tento aprender com algumas pessoas, em certas ocasiões. Não pelo fato de gostar de fofocas ou saber da vida dos outros; e sim porque gosto de ver atitudes, ações, momentos, situações, das pessoas que jamais verei novamente. Vendo aquele vai e vem de pessoas, eu penso: “Será que elas são felizes? Que são ricas? Que são do bem? Porque estão usando essa roupa?” Sempre fico tentando imaginar alguma coisa para me identificar com um estranho. Sinto essa necessidade. Estranho, não é? Às vezes penso que isso só acontece comigo, que só eu sou assim.

Bem como eu pensava que somente eu era nostálgica. Quando eu tinha meus 15 anos, sentei-me na calçada da casa da minha ex-melhor amiga, ficamos conversando e apreciando o pôr-do-sol. Posso dizer que foi ali que identifiquei minha primeira nostalgia. Só que não sabia, de fato, o que era, nem como se chamava. Por um momento ficamos caladas, só apreciando. Então, me deu aquela sensação boa, de saudades de não sei o quê, meu coração se apertou, senti como se fosse um déjà vu. E então, pensei: “Que sentimento é esse? Será que estou tendo alguma premonição? Será que sou a única pessoa a ter essa sensação? E por quê? Não entendo.” E fiquei calada, não comentei aquilo com ela, nem com ninguém. Até porque, sempre fantasio coisas estranhas assim, e sempre achei melhor guardar só pra mim.

Depois de muito tempo, descobri que existia uma tal de “nostalgia” e a descrição desse tal sentimento - ou sensação -, foi bastante parecida com aquilo que tinha vivido, naquele pôr-do-sol alaranjado. Confesso que, de início, fiquei bastante decepcionada. Porque antes, eu me sentia muito especial por ter aquelas sensações. Que, aliás, depois de percebidas, começaram a se tornar bem mais freqüentes. Claro que, nessa incrível descoberta, a ingenuidade falou mais alto por achar que eu tinha perdido um dom único e exclusivo.

Com o tempo, veio a maturidade – ou pelo menos, parte dela – e percebi que essa sensação “mágica” ainda era única e exclusiva. Porque sou somente eu que terei minhas nostalgias, só eu sei como e quando elas vêm, só eu sei que eu não posso escolher quando senti-las; elas simplesmente aparecem. Assim como quando estou sentada, num banco de shopping, observando as pessoas indo e voltando; com seus motivos, suas razões, suas angústias, seus sorrisos e indiferenças. Pessoas que nunca mais verei novamente. Mas, que mesmo assim, procuro algo para me identificar com cada uma delas.

Um comentário:

R6 disse...

Já senti essas nostalgias no banco de um shopping, a frente de piano. tem que qu epassar isos em vídeo.