Pode ser mania de fotógrafa ou de uma futura profissional de audiovisual. Talvez só eu veja o mundo dessa maneira, ou quem sabe, todos têm a mesma visão e eu definitivamente deva parar de achar que sou especial.
Tenho a mania de observar tudo a minha volta. Mas é outro tipo de observação. Uma vez me perguntaram: “você lembra o nome de fulaninho que estudava conosco há 6 anos atrás?” E a resposta foi não. Provavelmente, minha memória só guardaria uma manhã de sol, onde o calor estava muito grande, havia poucas pessoas na escola - praticamente só a nossa turma - e essa pessoa estaria presente.
Observo trabalhadores fazendo a limpeza das janelas dos apartamentos, pendurados em andaimes; vejo que a imagem da água sendo jogada pelos vidros e o céu em seu azul dégradé juntamente com algumas nuvens em forma de algodão resultaria numa excelente fotografia.
Olho entre o cruzamento de duas avenidas principais da cidade e há a bandeira do Brasil e do Estado tremulando. O forte sol dá uma vivacidade maior ao verde e amarelo, e o posto de gasolina da frente, com suas listras das mesmas cores, simbolizam o tímido patriotismo nesse país.
Então, devo enxergar tudo com olhar crítico, artístico e expressivo ou passar diariamente por lugares e achar tudo comum? Devo achar belo os formatos e cores das coisas ao meu redor ou achar tudo normal? Outro dia, enquanto me encantava com as cores do pôr-do-sol e a maneira como as nuvens se movimentava, ouvi um sonoro: “deixa de ser lesa, isso acontece todo dia!!!”
Só porque algo acontece diariamente devo deixar de apreciá-lo? Quer dizer que o cotidiano deixará de ser notado? Não! Me recuso a agir desta maneira! Quero poder me abestalhar com coisas que vejo sempre. Por mais que algo aconteça com frequência, não quer dizer que será tudo igual. A cada dia tenho mais certeza de que a estupidez é o melhor caminho.
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