Disseram ontem no telejornal: vai chover o dia todo.
Mas ninguém nunca dá os cabimento pra isso. Quem dando vai acreditar na mulher do tempo? O que acontece é que hoje em dia eles têm tantos aparatos tecnológicos altamente convincentes. Eu não assisto muita TV, mas um amigo me disse que eles agora estão usando uns efeitos em 3D que fica parecendo tudo tão real.
A verdade é que choveu. Choveu absurdamente a manhã inteira, e eu estou pensando seriamente em passar a acreditar nas informações passadas por aquele jornal. Pois já são mais de duas horas da tarde e a cidade já se transformou numa lagoa.
Pra completar, o trânsito está um caos, estou sendo obrigada a ir para a universidade e meu ônibus não passa. A menos que eu queira ir pra Ponta Negra ou pra casa, pois o 46 e o Eucaliptos é pau que mais passa nessa parada. Me comprimo nos poucos metros do ponto de ônibus, lutando constantemente para escapar das goteiras. Estou sem fone de ouvido nem estou com nada que possa me ser útil para fazer passar o tempo. Então eu observo as pessoas.
Mãe e filha estavam cada uma com uma sacola de roupas recém compradas na C&A. Vez ou outra havia um sorriso, mas o que prevalecia era o tom de voz que as duas tinham, que me fez imagina que ali estava tendo uma discussão. A filha que sentou no banco molhado e ouviu uns gritos de preocupação da mãe, comentava da agonia do pai, em trabalhar com Dona Cleide, amiga da família que quando se envolve em negócios, não parece mais ser tão legal assim. Só que elas conversavam tão naturalmente, que concluí que aquela gritaria toda era um bate-papo comum entre elas.
E mesmo com expressão pouco simpática, elas fizeram uma daquelas amizades relâmpago com uma senhora de descendência asiática, de óculos quadrado e que sorria para tudo. Conversaram sobre a demora eterna dos coletivos e a infra-estrutura decadente dos pontos de ônibus de nossa cidade. Uma delas até disse que as outras paradas eram mais feias, porém protegiam melhor as pessoas do sol e das chuvas fortes.
Mãe e filha subiram no 39 aos gritos. Aquela senhora olhou pra mim, sorriu e perguntou pra onde eu ia. Se preocupou por eu estar a tanto tempo ali e quis me confortar dizendo que o 47 estava vindo já já. A senhora foi gentil com o vendedor de guarda-chuvas, que insistiu para ela comprar uma sombrinha portátil, mesmo vendo que ela estava abrigada debaixo de um guarda-chuva vermelho de bolinhas brancas. Ele mostrou o produto que vinha numa bolsinha de plástico bem trabalhada, disse que era apenas 10 reais e que aquela bolsinha poderia até servir para outra coisa. Mas não colou.
O ônibus que me levaria para casa, passou quatro vezes dentro do tempo que fiquei ali. Coisa que nunca acontece em dia comum. Pensei tanto em ir pra casa, tomar um banho quente, vestir um pijama folgadinho e assistir a 6º temporada de Friends enrolada num lençol almoçando a comida quentinha da minha mãe.
Mas eu não tenho chuveiro elétrico.
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