Tinha uma vasilha de sorvete dentro da geladeira fazia dias. Era uma daquelas brancas, sem embalagem de papelão colorida, nem nada que identificasse o que havia por dentro. Eu só sabia que era uma vasilha branca de sorvete, igual aquelas que compramos em supermercados.
Como a feira do mês foi feita há uns bons dias, imaginei que não era sorvete que tinha ali dentro, era bem mais comum pensar que fosse resto de feijão do almoço daquela semana. Tudo foi baseado em suposições, conclusões feitas com observações rápidas e um tanto quanto desinteressadas.
Diariamente, a porta da geladeira era aberta e fechada inúmeras vezes. Viam a vasilha, mas nunca tiveram curiosidade em saber o que havia lá. Como não queriam comer feijão requentado, então nem se deram ao trabalho de olhar.
Mas era sábado de manhã, chovia e o clima estava bem aconchegante. Eu queria algo diferente, algo bom. Como de praxe, abri a geladeira pra pensar. Pensei um pouco e quis ver o que danado tinha dentro daquela vasilha branca. Tinha pudim. E olhe que já me disseram isso fazia um tempo, mas acho que acabei nem prestei atenção.
Ele estava todo bagunçado, sem forma e um pouco seco.
Experimentei e gostei, estava delicioso. Com colheradas bem pomposas, enchi uma xícara preta de bolinhas. Guardei o que sobrou no mesmo canto pra pegar mais depois. Porque eu sei que, assim como foi antes, o que sobrou não haveria de ser notado por mais ninguém. Iam sempre achar que era feijão congelado, quando na verdade era pudim doce e seco. Mas que era bom, muito bom.
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