Estive fora por tanto tempo e nem sequer ouvi falar no seu nome. Sempre havia companhia de algum lugar do país que preenchia a sua falta com um sotaque diferente. Me esqueci de lembrar de você. Negligenciei todo arrepio de saudade e sorria para amenizar o aperto no peito.
Estou voltando e acompanho o sol nascer através da vidraçaria do aeroporto. Nesse momento me permito desconstruir toda aquele muro de proteção que fiz para me proteger da merda que é ainda gostar de você.
Me dou conta que faz tempo que não vejo o sol nascer. Lembro daquela noite que passamos juntos na beira do mar. Você me abraçava e dizia que numa outra oportunidade íamos ver o dia amanhecer. Ali a paixão já estava em mim e qualquer gesto ou palavras sua, me fazia suspirar. Guardo até hoje o modo como você delicadamente ajeitava meu cabelo atrás da orelha e me beijava.
Ainda não consigo entender como tudo isso se caracteriza como atitudes normais e não necessariamente uma expressão de sentimento.
Desde ter ouvido tais insanidades e de ter engolido a seco inúmeras palavras que explicariam toda essa situação, venho controlando o meu desejo de te ter e tropeçando nas tentativas de dar certo com outra pessoa.
Queria poder não pensar mais em nada e encarar a realidade de que o nosso momento já passou. Mas isso só vai ser possível quando alguém estiver disposto a quebrar o gelo que envolve meu coração. Está sendo fácil me manter fria e indiferente por fora, o difícil é não amolecer e ficar à flor da pele quando escuto a sua voz.
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