A liberdade que a sua boca tem ao falar qualquer heresia não se compara à necessidade que a minha tem em tocar a sua. Observar você mexer freneticamente esses lábios, querendo cada vez mais me encher de palavras que eu não quero ouvir, me faz pensar em parar sua inquietude com alguma atitude desmedida.
Não consigo compreender essa tara fora do comum que emerge sempre que vejo seus mãos. Não fosse somente pela relação existente entre minhas lembranças e seus toques, agora me parece mais coerente que é também pela curiosidade de saber o que ainda estaria por vir, se tudo não tivesse tomado um rumo totalmente oposto.
Sua respiração brusca em meu pescoço que vem acompanhada de um abraço apertado e de um beijo surpresa, causa arrepios nos pelos mais sensíveis do rosto. A única reação permitida por mim é fechar os olhos por menos de um segundo e lembrar de quando eu podia simplesmente virar e saciar meu desejo de te ter da maneira mais desorganizada e apaixonada possível.
É em momentos como estes que percebo quão relativo o tempo é. Entro à fundo em lembranças e detalhes tão minuciosos que jamais poderiam ser descritos em uma realidade como essa. Mesmo assim, quando meus olhos se abrem novamente e enxergo que sua atitude foi desnecessária, vejo que a única reação que me cabe é a de não me dar ao luxo de sequer respirar mais fundo. Nem me permito mexer uma pálpebra à favor das minhas vontades de você.
Evito submeter qualquer demonstração de afeto ao gravar o seu sorriso que faz questão de se dirigir a mim sempre que possível. Tento imaginar o que se passa em sua cabeça toda vez que você faz comigo exatamente o que eu esperava de você em certos momentos, e finalizo sempre com a mesma conclusão: não faço a menor ideia do por quê de disso tudo.
Me perco nessa linha de raciocínio que o seu corpo, sem querer, tenta me mostrar e o que o meu coração, querendo muito, espera de você. Me acho exatamente naqueles segundos que seu abraço me teve e seu beijo carinhoso marcou minha pele.
E é apenas nessa partícula de tempo que eu permito ser absolutamente vulnerável. É quando eu fecho os olhos para descansar de todo aquele bloqueio de sensações que já está fortalecido aqui dentro. Às vezes deixo transparecer um riso de canto. Um riso meio bobo, confesso. Quando me toco da merda que foi eu ter mostrado aquilo que realmente é, trato logo de recolocar a máscara de amiga que encontrei como motivo para estar sempre ali.
Estar sempre ali até que doi um pouco. Mas percebi que não estar em lugar algum é bem pior.
Estar sempre ali até que doi um pouco. Mas percebi que não estar em lugar algum é bem pior.
Nenhum comentário:
Postar um comentário