8 de março de 2013



Dizer que o dia foi cheio e cansativo, nem graça tem  mais. Sabe-se que todo dia é bem puta que pariu e que quaisquer afazer a mais é normal, já que se foder é igual a coração de mãe: sempre cabe mais um (imprevisto).

Quando eu cheguei em casa definitivamente, por volta das 23h10, fui tomar um belíssimo banho demorado de água quente com direito a lavagem de cabelo regado a Seda Pretos Luminosos. Como imaginei que ia demorar naquele exótico banheiro com paredes toda na cerâmica branca com detalhes azuis, levei meu celular que ainda restava um pouco de bateria para ouvir uma musiquinha. Só que ele não prestou, nenhuma tecla funcionava e eu simplesmente deixei pra lá porque, apesar de tudo, meu dia foi muito bom e eu não queria me estressar.

Dei início aquele ritual banhístico noturno caprichado. E enquanto lavo meu cabelo, com os olhos fechados (Claro! Até porque, se pegar no olho aquilo pode cegar) e quando eu abri os olhos de repente não tinha mais luz. Pensei: CARALHO, TÔ CEGA. O bom é que não, eu não estava. Só que o ruim: tinha faltado energia. Toda essa reação e percepção demorou cerca de 3 longos segundos. O grito da massa foi o suficiente para ter a certeza do estresse que a Cosern causou no meu banho relaxante. Por sorte, aquele celular que deu tíute, tava ali do lado altamente paralisado, sem qualquer função aparente, apenas travado na parte de energia do celular, ou seja, fiz dele minha lanterna.

Imediatamente, com meu novo celular lanterna, peguei um lençol de cama limpo no quarto de mainha e fui para o meu quarto, com o reforço da luz de vela colada com uma gotinha de cera derretida em cima de um pires, fiz uma ligação e comecei a conversar enquanto arrumava meu quarto no pseudo-escuro. Após a faxina  inusitada, comecei a pensar em todas essas estratégicas mirabolantes e complexas para o dia seguinte, onde  eu mapeava as possibilidades de se fazer presente na realização de um trabalho de projeto experimental mais conceituado de um evento universitário, gravação num programa de entrevistas com grandes nomes da charge brasileira e, o mais interessante e motivador de toda a mudança no cronograma atual, a possibilidade de passar um tempo com aquele mesmo escritor que autografou seu livro.

Na sequência, ainda com a toalha enrolada na cabeça, meu irmão passava a informação para a minha mãe de que no município de Olho D’água também não havia energia. Em Parnamirim já se sabia que não tinha nem o rastro, com exceção da luz lua. Em Mossoró, tinha-se apurado que também não havia nenhuma gota de energia.

Ao deitar na minha cama macia e cheirosa, cheguei a uma conclusão: a falta de energia está acontecendo no nordeste inteiro. Assim como foi na outra vez (em 2011).

Só que dentro da minha mente maligna, já imagino que o motivo dessa frequente (tá, nem tão assim, vai) queda GERAL de energia, é apenas para colocar em nossas cabeças, de uma vez por todas, que a construção de Belo Monte é altamente importante para a sociedade brasileira. Acredito que essa é apenas uma brincadeirinha de mal gosto que o governo está usando pra nos fazer crer que aquela ruma de concreto no meio do quintal do índios é necessária.. será?

Não, não, não... Dilmão não ia fazer isso com o povo. Gente, foi só coincidência. Acabou o expediente, saíram e desligaram o interruptor do Nordeste sem querer.

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