6 de março de 2013

O fim está automaticamente ligado ao começo. Todo dia a contagem regressiva é ativada. A última previsão para o fim do mundo foi em 21/12/12. Acredito que era mais pelo fato de ser bonitinha essa sequência de números, do que qualquer outra coisa cientificamente comprovada.

Dentre várias prévias para o fim do mundo, temos de aproveitar todo esse contexto terminal que estamos vivendo. Claro que todos esses "fins" estão ligados diretamente a outros inícios.

Estamos sem Papa. Porra, que mundo é esse onde não temos um Papa? Que malefício isso pode causar numa sociedade, seja ela católica ou não? Não sou católica, viu. Mas a questão é, quem vamos tomar como referência na ligação direta entre Deus e o representante dos homens na terra, senão um senhor branco, europeu, de idade avançada e poder social altíssimo, que relaxa seu bumbum santo numa imensa poltrona de ouro? Até lá poderemos transar sem camisinha, antes do casamento e ter relações homossexuais que ninguém vai se incomodar. Mas quando o novo Papa chegar, vamos nos disciplinar de novo. Aproveitem enquanto há tempo.

Enquanto isso, assinaturas estão sendo recolhidas para a fundação de um novo partido político no Brasil. E eu não estou falando do saudoso ARENA, partido este que trás à tona todos os desejos e anseios pela ética, moral e bons costumes, cultivados nos tempos de outrora, como na nossa histórica Ditadura Militar. A jovem reacionária, de piercing nos lábios, cabelo pintado e cotista do ProUni está só querendo que tudo volte ao normal. Ao menos ela tem um direcionamento, apesar de ser incoerente com o discurso. Mas sobre quem eu estou querendo realmente falar é a ilustre Marina Silva e seu mais novo partido que se chamará Rede Sustentabilidade. E ele não será nem de esquerda nem de direita, muito pelo contrário. Marinão está apenas querendo se inserir dentro da política de maneira contemporânea, concreta, realista. É só uma questão de ser coerente com a situação atual. Sei lá.

Aí, como o mundo tem muita gente e muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo, tem também o lance da nova presidência da Comissão dos Direitos Humanos rolando. A indicação vem do Partido Social Cristão a um Pastor Evangélico, um tal de Marco Feliciano que cobra mil reais de um tetraplégico para fazer milagres. Nos filmes sobre Jesus, a gente ver que ele fazia isso na maior camaradagem, só pra fazer o bem ao próximo mesmo. Só que os temos mudaram, isso é verdade. Na época de Cristo a economia era uma. Hoje em dia eu compreendo perfeitamente que os milagres sejam cobrados, até porque vivemos numa economia capitalista, onde precisamos tirar o nosso para poder nos sustentar e ter nossas necessidades básicas como avião particular, comida, carro importado, roupas, alguns anéis e cordão de ouro, entre outras coisas. Daí, se utilizar de argumentos bíblicos para justificar o racismo e o preconceito contra homossexuais é um pulo. Que também não pode ser questionado, porque aí seria uma censura à liberdade religiosa. E Deus que me livre fazer uma coisa dessas.

Não podemos censurar nada, nenhum tipo de liberdade de expressão. E foi justamente com esse argumento que vimos uma mulher, questionadora do governo ditatorial cubano, fazendo turnê pelo mundo a fora (começando pelo Brasil, uêba) às custas de muita gente interessante. Ela ganhou prêmios jornalísticos importantíssimos com seu blog. Com esse dinheiro conseguiu sustentar seu site e atualizar suas postagens, num país onde a internet custa 6 dólares/hora e o salário mínimo é de 17 dólares. Haja coragem para gastar boa parte do seu dinheiro na internet. Mas tudo isso fez com que ela fosse conhecida como representante dos insatisfeitos do regime Castro, mesmo que muitos - pra não dizer quase todos - nem chegam a ver suas postagens, pois eles têm mais o que fazer com o dinheiro do que pagar uma fortuna pra usar a internet. Sua notoriedade se deu no estrangeiro, através dessa ruma de gente que não gosta de nada, que sai criticando toda e qualquer forma de modelo governista diferente do comum (capitalista, é claro). Aí tem gente que enxerga isso como socialismo e outra como ditadura. Eu digo que tudo é questão de interpretação, mas a errada sou eu.

Só que algumas coisas chegam ao fim.

De ontem pra hoje, várias pessoas morreram pelo planeta afora. Assim como nasceram também, na mesma proporção ou até mais, nunca se sabe. Morre gente todo dia e esse mundo vive lotado, é incrível isso.

De ontem pra hoje também, nós, facebookianos do Brasil e discípulos de Sônia Abrão, estamos compartilhando os pêsames e os "acho é pôco" em relação a morte do ex-presidente Venezuelano, Hugo Chávez. O discurso da ditadura cubana também vale para a ditadura venezuelana, onde não existe liberdade de expressão, não se pode ser contra o governo, entre tantas outras coisas horríveis, esdrúxulas, tronxas, ridículas e dignas de ódio. Governo populista é governo que atende as necessidades do baixo escalão da sociedade, os pobres. Governo que pretende melhorar educação, priorizando os mais pobre e não as escolas particulares; governo que tem o recurso natural mais valorizado do mundo e não usa isso para tecnologia, especulação imobiliária e bancos, é um governo populista. Então tá, tudo bem.

A democracia está em crise. Os termos também.
Liberdade, liberdade, liberdade!
Todos nós queremos liberdade, desde que não interfiram nos nossos interesses.

"Olhe, vocês podem até lutar por isso, mas sem baderna, sem vandalismo e sem tirar os meus direitos"

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