26 de março de 2013


Escrever neste blog é com fazer uma oração: só o faço quando quero pedir algo.

Se bem que eu nem oro nem rezo nem faço nada. Até penso em como deveria ser praticante nessas coisas, mas tudo está tão passível de descrença que acredito que nem vale a pena tentar. Nesta afirmação também se encontra a tal da reza.

Gosto mesmo é de escrever no papel, mas o tempo escasso desta vida de "meu Deus" não dá. Além de tudo, passa-se tanto tempo na frente do computador que quando me mandam escrever uma coisa me dá logo um princípio de tendinite, um distúrbio de letra de médico e toda essa aflição ocorre ainda na metade do segundo parágrafo. Ontem a professora falou que a tendência é que as telas dos computadores se tornem touch screen, tipo os iPhones da vida, e imediatamente eu já fui sintindo saudades da minha letra que, nos tempos de outrora, foi tão bonitinha.

Pra evitar as escapulidas na hora do trabalho, agora tão dando pra bloquear sites. Onde já se viu, rapaz? Temos de manter as informações acessíveis, as pessoas têm de estar olhando tudo, inclusive no Facebook, porque as notícias são filtradas por lá. Aí me vem a mente aquela frase: podem me prender, mas não me impedirão de pensar. Ou algo assim. Procurei no Google mas ele já não confirma mais essas informações de maneira precisa. Hoje em dia o povo fala tanta coisa na internet e até a internet se confunde.

Só que eu tenho de manter minhas orações, sejam elas no sentido religioso ou gramatical. Às vezes eu até misturo as duas. Vez ou outra tem Deus ou Jesus nas minhas frases, normal demais. Nem glorifico de pé nem ofendo. Apenas uso - mas acredito que não seja em vão, as pessoas são muito metódicas, afe! -, pois estas expressões são comuns e acho que Ele nem liga. Ele sabe muito bem o quão legal eu sou, e que não tenho a intenção de ofendê-lo (gente, não sei onde coloca a letra maiúscula nesse caso, me desculpem). A verdade é que eu preciso sempre estar falando.

Apesar disso, ando querendo calar a minha boca ultimamente. Falo tanto que nem aguento a minha voz, faço tanto tumulto que já estou me achando insuportável, quiçá o resto da humanidade. Só que controlar isso é difícil. Mas vou me calando em ocasiões especiais, assim, quem sabe um dia eu finde apenas falando quando necessário e me torne alguém mais respeitável.

Sou cientista da vida e vou fazendo esses experimentos por conta própria. Pena que não investem financeiramente em mim, por isso a demora para concluir certas pesquisas empíricas sobre a minha pessoa. O dinheiro da bolsa e do estágio (quem nem vi a cor do dinheiro neste ano de 2013) não dá nem pra comer mais de uma vez na semana ali no Pastelouco, lá na Abel Cabral.

Entusiastas da literatura poderão afirmar: "Mas você pode se alimentar de palavras". Eis que eu responderia: "Posso porra nenhuma! Me prove que a palavra 'comida' vai tirar meu bucho da miséria na hora do almoço". A conversa se daria por mais alguns minutos, munidas de argumentos filosóficos e sociais, dos dois lados. Sendo que tudo isso pode ser apenas fruto de uma imaginação fértil, desprovida de lógica racional e lotada de DDA.

Acredito que é preciso fazer reza braba (isso inclui evangélicos, católicos, seguidores de Oxu, Juremeiros, muçulmanos, etc.) para podermos impedir que os bloqueios em sites e blogs continuem se propagando nas empresas e repartições públicas.

A internet deve ser livre, os acessos também, inclusive os comentários no portal d'O Globo (eles deixaram claro que os comentários são passíveis de aprovação e podem até comentar, mas só em publicações específicas e tome lá a lista mixuruca).

A gente vive nessa vida à base de "tem, mas tá faltando" e isso se aplica a tudo com  o tão expressivo "é livre, mas aqui não pode".

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