No mundo de hoje, pós-século XX, início de outro milênio, tempos posteriores aos de outrora; a tecnologia tá virada num traque. Em tudo quanto é lugar, a tecnologia revoluciona nossas vidas.
É TV digital, é rádio na internet, é a própria internet cheia de artifícios, são os celulares de 4 chips, são os celulares com Android, são os carros ligeiros, é a mudança do marketing, é a insistência do telemarketing, é o Prezi que está substituindo o Power Point, é o mundo se comunicando na velocidades da luz, é a NASA achando vida em três planetas, é a NASA trabalhando muito e pegando no flagra um buraco negro engolindo um planeta, é o ar-condicionado portátil, é o notebook que vira tablet, é carro sem marcha, é canal por assinatura que só a bexiga, é câmera fotográfica que filma muito melhor que uma filmadora, é vitrine de loja com um adesivo cheio de quadradinhos que você coloca o celular com um leitor de código de barra e já entra num site super invocado com várias informações. É isso, é aquilo...
É tanta da coisa que se eu for procurar no Google as últimas maiores revoluções tecnológicas com certeza vou encontrar uma lista já pronta. E se eu for procurar no Google Acadêmico vou encontrar cerca de três artigos e/ou livros que tratem do tema. É assim, a informação está toda assim, sendo informada e comunicada a todo instante, por mais que você não queira. E tem hora que você realmente não está afim! Mas a informação não está nem aí pra isso, ela vai continuar te informando, quer você queira ou não.
Aí alguém pergunta: mas e tem gente capacitada para dar conta de toda essa informação, juntar e colocar empacotada dentro de uma rádio/tv/internet/jornal/revista/etc e tal? O pior que tem sim.
Ainda no início deste milênio, no auge dos acessos às universidade públicas no Brasil, tiraram o doce das crianças que almejavam ter um diploma de jornalista. Chegou um e disse: "ei, não precisa de canudo pra ser jornalista! Tem pra quê fazer faculdade pra comunicar não, minha gente." Aí pronto, foi dada a largada ao descontrole, aos momentos de descabelagem, às inquietações e ao egoísmo coletivo.
Vômitos argumentativos eram espalhados pelo chão a todo instante, não tinha colaborador ASG que desse conta da sujeira. Adoradores da gramática, bajuladores da norma culta e chatos do "só existe um jeito certo de escrever, aprendam, seus burros sem educação" também se manifestaram. Disseram que não podia, porque isso era uma afronta à elite comunicacional, aos detentores do poder e os incultos iriam enfeiar as páginas e espaços sonoros e televisivos com os termos e atitudes orkutianas.
Imagina só se isso acontece? Ave maria, nã. Quero nem pensar. Vai de reto satanás. Ainda bem que voltaram atrás com essa conversa. (A verdade é que eu nem ligo, pra mim tanto faz).
Pois bem, eu só queria que tivesse mais coisas que me interessasse. Acho que sou chata demais e reclamo de tudo. Mas eu só queria mais cores, mais sotaques, mais gente diferente, mais negão, mais índio, mais pobre. Só que eu queria tudo isso de maneira positiva, de uma maneira que não mangasse do povo. Eu não vejo isso, aí eu fico triste.
Então eu fujo dessas coisas que é pra não me estressar.
Perdi meu celular no carnaval. Ele era uma daqueles bons. Era o mais barato dos bons. Esperei receber meus poucos reais, juntei um pouco, pedi o cartão de crédito de mainha e comprei um novo. Esse agora tem dois chips. É o mais barato de dois chips. O bom dele é que você pode baixar vários jogos gratuitos legais para passar o tempo e não se estressar com coisas que você quer fugir. Eu baixei Palavras Cruzadas e jogo toda vez que perco o meu tempo dentro de ônibus me locomovendo lentamente entre os pontos da cidade.
Eu lá sei qual o primeiro nome do pintor Cezanne, eu lá sei o que colecionam os Filatelistas, eu lá sei qual é a capital do Sri Lanka, eu lá sei o que é Turmalina. Só sei que lá pelo nível 7 tinha uma pergunta: "Quem nasce no Rio Grande do Norte é? (8 espaços)".
Vixe, fiquei feliz demais. Dei um sorriso sincero na cadeira alta do 78/47. Era só isso que eu queria no meio de todo esse imenso universo: me sentir representada!
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