13 de maio de 2013

Inventaram de pedir que eu viesse toda segunda-feira a tarde. O resto do dia da semana é todo pela manhã, a manhã inteira, contando a partir das 8h. Mas na segunda é pela tarde. Pudera minha vida ser toda assim: você curte o final de semana, bebe com os amigos, vai prum rolé na Ribeira, fica até meia noite comendo cachorro quente sem salsicha na praça Cívica, no Passaporte Lanches, e dorme até às 11h do dia seguinte.

Mas o foco aqui não é esse. Também não é o café que está ruim, nem a falta de energia no estágio, nem mesmo a chuva deliciosa que está lá fora e só me faz lembrar da minha cama e dos meus aparelhos de tevê e dvd que funcionam pelas coxas, mas que, mesmo assim, é o suficiente para eu assistir algumas das 10 temporadas de Friends. O foco aqui é a leitura, o cérebro, a escrita, o dom de organizar coerentemente palavras aleatórias e formar sentido numa merda qualquer que você esteja viajando enquanto pega um ônibus para se locomover entre a província na qual você reside.

Tô pensando em quebrar uns paradigmas e desconstruir uns conceitos de níveis de intelectualidade fora do normal que temos em nossas cabeças (pelo menos, que eu tenho).

Eu vou escrever um livro. Taí, decidi.

A primeira impressão (no sentido de reação do outro e não da tiragem do meu best-seller, rsrs) poderá ser: sim, minha filha, mas como você pensa em fazer isto? Tais doida, é? Então eu direi: E pelo motivo de quê que vossa senhoria acha que eu não tenho condições?

Qual o critério para escrever um livro? Hoje em dia, vejo que as coisas não são tão difíceis. Não é tanto pelo fato de que nos tempos atuais tudo nessa vida são mais simples (teoricamente falando, é claro) de ser fazer, mas é que, atualmente, tenho um oportunidade diferenciada de enxergar o mundo e vê que quem escreve as coisas, são as pessoas e eu sou uma pessoa. A conclusão parece ser muito simples e dá a entender que foi muito fácil de imaginar isso, mas para chegar a tal conclusão, foi necessário anos de percepção das coisas ao meu redor.

Quem estudou em escola estadual desde a sexta série do ensino fundamental e misturou a falta de vontade de estudar com a falta de oportunidade dos professores de ensinar com mais gosto, entende que livros, universidades, aprendizado, inteligência, produção cultural e a porra toda, é feita por pessoas distantes da nossa realidade. Até um dia desses eu achava que as coisas ainda eram assim.

Nunca fui de ler livro. Eu pensava: ave que tanta folha, a pessoa lê o começo aqui, daqui a pouco se esquece do que tinha no parágrafo anterior e tem de voltar, assim nunca vou terminar. Por outro lado, sempre ouvi dizer que quem escreve livro são aquelas pessoas que têm família estudada, que lê que só a bexiga desde quando era menino, que participou dos mais diversos eventos culturais da mais alta importância e que domina a gramática e norma culta brasileira. Pior que eu vejo que é assim mesmo. E que mesmo o cara do hip-hop, que hoje tem uma credibilidade na sociedade, que escreve músicas ótimas e retrata bem a comunidade pobre em que vive/viveu, teve uma mãe professora que desde cedo incentivou os filhos a ler.

Partindo desse pressuposto, percebo que estou lascada. Primeiro porque não tenho domínio nenhum das regras da língua portuguesa, segundo que sou aspirante a Comunicadora Social e não sei qualquer língua estrangeira e terceiro que li pouco (se comparando ao montante de obras importantes que foram folheadas pela sociedade lotada de cultura), não tenho classe textual e, sequer, tenho memória. 

Só ousei escrever textos quando percebi que posso escrever com palavrões, tentar transformar sotaques em palavras e implementar mais referências locais. É tão broxante você ler algo interessante, que te empolga e, de repente, o autor joga na sua cara uma coisa do tipo: "Enquanto a trilha sonora perpassava pelos ouvidos do casal apaixonado que caminhava na Quinta Avenida, o amor renascia dentro deles." É o quê, ome? Eu lá sei onde fica a Quinta Avenida. Se tivessem dito que isso ocorreu lá na Salgado Filho com a Bernardo Vieira, eu iria entender completamente.

Pois bem, enquanto nenhuma editora me descobre, me revela como cronista e nem se compadece com minha pobre alma, vou parando por aqui e finalizando esse texto. Já está na hora de ir embora, lá fora tá um toró, eu não tenho guarda-chuva e ainda sou obrigada a encarar um trânsito infernal na Hermes da Fonseca, pra pegar um circular lotado e abafado pra ir a UFRN.

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