Numa época em que o consumo tecnológico fala mais alto que
qualquer outra prática, é difícil de encontrar pessoas que gostam de cultivar a
natureza, principalmente numa cidade grande.
O pau-brasil foi uma das especiarias mais comercializadas na
época da invasão portuguesa em terras tupiniquins. Apesar de ser a árvore que
dá nome ao nosso país, tanto já foi explorado que, hoje em dia, quase não
conseguimos encontrá-la pelas ruas ou pelas nossas matas.
A cultura de não estudarmos e não conhecermos o que é nosso,
também incomoda. “As crianças não sabem o que essa planta significa. Podem até
saber que ela foi a árvore que batizou o nome do nosso país, mas se você
colocar um planta de pau-brasil na frente delas, elas não vão saber
diferenciar. Elas não vão reconhecer.”. É o que diz Alexandre, enquanto vai
mostrando com orgulho, uma por uma as mudas de pau-brasil que ele planta no
trabalho.
Alexandre Henrique tem 44 anos e é vigilante da sede do
Incra do Rio Grande do Norte desde o ano de 1988. Antes de chegar no Incra, o
pau-brasil mais antigo da instituição já havia completado 25 anos de
existência. Mas, até em então, a árvore não tinha chamado tanto a sua atenção.
O interesse pela jardinagem surgiu na própria instituição,
apesar dele nunca ter trabalhado diretamente com isso, Alexandre já prestou
alguns serviços para conhecidos e até dá sugestões ao jardineiro de como podar
as plantas. Ele conta como era a estrutura do prédio há 24 anos, e vai
mostrando orgulhoso o outro pau-brasil que ele mesmo plantou no local.
Há cerca de 10 anos, Alexandre começou a perceber que
poderia fazer muito mais do que apenas cuidar daquelas duas árvores históricas.
“Tem uma época que o pau-brasil solta muitas semestres, e ficam todas caídas no
chão. Essas semestres sempre eram varridas e jogadas fora, até que eu comecei a
prestar atenção nelas”. Foi quando ele começou a cultivar as mudas da planta e
doar. Na primeira levada, ele conta que foram cerca de 150 mudas e sementes
doadas. Quem adota a planta, conhece um pouco mais sobre a sua história, pois
Alexandre faz questão de contar.
Ele não vê desgaste nenhum em praticar esse hobby, até diz
só não faz mais porque não é a sua função dentro da instituição. Para ele, o
importante é que se preserve, ao invés de destruir. Até em feira de ciências da
escola do filho Alexandre já levou umas mudas e fez o que mais gosta: contou a
história da planta e doou para as crianças.
Ao todo, ele não sabe quantas sementes foram plantadas.
Enquanto ele mostra sorridente e com as mãos sujas de terra molhada da rápida chuva
que caiu, as várias mudas de pau-brasil que conserva em copinhos de plástico
dentro do Incra. Dessa forma, ele vai contando e explicando quando e por que uma
semente não germina mais. Em copos vazios, Alexandre dá o passo-a-passo de como
se plantar. Pegando na terra, tocando na árvore, mostrando suas folhas, ele explica
que qualquer solo é capaz de fazer crescer a planta. É só cuidar com amor e
carinho.
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