5 de junho de 2013


Numa época em que o consumo tecnológico fala mais alto que qualquer outra prática, é difícil de encontrar pessoas que gostam de cultivar a natureza, principalmente numa cidade grande.

O pau-brasil foi uma das especiarias mais comercializadas na época da invasão portuguesa em terras tupiniquins. Apesar de ser a árvore que dá nome ao nosso país, tanto já foi explorado que, hoje em dia, quase não conseguimos encontrá-la pelas ruas ou pelas nossas matas.

A cultura de não estudarmos e não conhecermos o que é nosso, também incomoda. “As crianças não sabem o que essa planta significa. Podem até saber que ela foi a árvore que batizou o nome do nosso país, mas se você colocar um planta de pau-brasil na frente delas, elas não vão saber diferenciar. Elas não vão reconhecer.”. É o que diz Alexandre, enquanto vai mostrando com orgulho, uma por uma as mudas de pau-brasil que ele planta no trabalho.

Alexandre Henrique tem 44 anos e é vigilante da sede do Incra do Rio Grande do Norte desde o ano de 1988. Antes de chegar no Incra, o pau-brasil mais antigo da instituição já havia completado 25 anos de existência. Mas, até em então, a árvore não tinha chamado tanto a sua atenção.

O interesse pela jardinagem surgiu na própria instituição, apesar dele nunca ter trabalhado diretamente com isso, Alexandre já prestou alguns serviços para conhecidos e até dá sugestões ao jardineiro de como podar as plantas. Ele conta como era a estrutura do prédio há 24 anos, e vai mostrando orgulhoso o outro pau-brasil que ele mesmo plantou no local.

Há cerca de 10 anos, Alexandre começou a perceber que poderia fazer muito mais do que apenas cuidar daquelas duas árvores históricas. “Tem uma época que o pau-brasil solta muitas semestres, e ficam todas caídas no chão. Essas semestres sempre eram varridas e jogadas fora, até que eu comecei a prestar atenção nelas”. Foi quando ele começou a cultivar as mudas da planta e doar. Na primeira levada, ele conta que foram cerca de 150 mudas e sementes doadas. Quem adota a planta, conhece um pouco mais sobre a sua história, pois Alexandre faz questão de contar.

“Como aqui vem muita gente de assentamento, pessoas que moram em interior e que têm espaço grande no quintal, eu sempre oferecia algumas sementes para eles plantarem lá”, conta Alexandre. A última doação foi feita há 2 meses, e mais 100 mudas foram doadas. Assentamentos, quintais de vizinhos e conhecidos, e até nas terras lusitanas existem sementes plantadas que foram cultivadas por Alexandre.

Ele não vê desgaste nenhum em praticar esse hobby, até diz só não faz mais porque não é a sua função dentro da instituição. Para ele, o importante é que se preserve, ao invés de destruir. Até em feira de ciências da escola do filho Alexandre já levou umas mudas e fez o que mais gosta: contou a história da planta e doou para as crianças.

Ao todo, ele não sabe quantas sementes foram plantadas. Enquanto ele mostra sorridente e com as mãos sujas de terra molhada da rápida chuva que caiu, as várias mudas de pau-brasil que conserva em copinhos de plástico dentro do Incra. Dessa forma, ele vai contando e explicando quando e por que uma semente não germina mais. Em copos vazios, Alexandre dá o passo-a-passo de como se plantar. Pegando na terra, tocando na árvore, mostrando suas folhas, ele explica que qualquer solo é capaz de fazer crescer a planta. É só cuidar com amor e carinho.

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