26 de março de 2017

tudo parece forçado, inclusive eu.

os discursos que eu fazia há pouco tempo atrás, as notícias do jornais, as frases prontas das pessoas ao redor, as repostas automáticas para as perguntas óbvias. a impressão que me passa é de que nada mais é novidade, tudo é um remake do que já passou. só que eu não tenho mais tempo para sentar no sofá e assistir a esse Vale a Pena Ver de Novo.

assim como também não tenho mais tempo para ouvir, para refletir nem para ser eu mesma. sempre que há o mínimo de interação interpessoal eu volto pra casa imaginando que tudo que eu falei foi uma vergonha completa e que as conexões e conjunções verbais não fizeram o menor sentido lógico.

até mesmo para escrever vai ser preciso uma visão externa da minha carcaça para que eu consiga aguentar essas palavras que me soam tão previsíveis e imundas.

29 de julho de 2015

das inconstâncias relativamente constantes que me surgem por aqui: como lidar?

não sei bem o que fazer da vida. são infinitos os textos filosóficos e mensagens de auto-ajuda que você lê durante a faculdade sobre como você fica perdida depois que se forma e nem imagina que este fardo cairá nas tuas costas mais cedo ou mais tarde.

quer dizer, não sei se fardo é a palavra correta. afinal, faz pouco tempo que me formei e ainda não dá pra fazer um relatório completo e detalhado sobre minha situação. 

tudo isso se torna complicado porque sempre achei que sabia muito bem o que estava fazendo e acreditava piamente o que estaria por fazer agora. o fato é que eu não me lembro bem o que eu estava pensando há um ano atrás.

claro que existe aquele companheira e fiel falha na memória, que já tornou minha existência bem mais confortável na terra; mas tem também a parte em que é bem provável que eu esteja me sabotando mais uma vez.

outro dia me peguei pensando que deveria bordar. veja só que audácia: eu, que nunca tive o menor dom ou vocação para tal coisa, querendo bordar. mainha até que tenho me ensinar crochê quando eu era pré-adolescente (esse termo me dá agonia). e eu até gostava. mas nunca passei das trancinhas e não cheguei perto de fazer um babado bonito em um pano de prato sequer. apesar de achar tudo aquilo muito belo, a agulha fazia calo no meu dedo e ele já era tão feio e ossudo, que não queria estregar mais o pobre coitado.

mais pia, agora eu bordo. ou, pelo menos, provei pra mim mesma que posso bordar se eu quiser. na mesma hora que me deu a vontade peguei 12 reais, fui num armarinho aqui do bairro e comprei dois paninhos, duas linhas e duas agulhas de ponto cruz. em menos de uma semana já estava levando jeito. comprei mais material e me desembestei pro bordado livre ~~ que me atrai só pelo nome ~~ mas que também tem uma boniteza muito atrativa na sua feitura. agora conheço termos como etamine, arremate e bastidor. isso por si só é fantástico.

em dois meses consumi todo o meu tempo para aprender um pouco sobre essa arte e acho que até fui bem. mas aí sinto que estou entrando na fase de não gostar mais. o que é uma pena, já que se eu continuasse sairiam coisas ótimas. só que cismei com outra coisa: quero voltar a fotografar.

tinha largado essa minha paixão por motivos totalmente desconhecidos e isso mexeu comigo durante muito tempo. pode ser que a obrigação de fazer isso por dinheiro e de forma bem comercial tenha desencantado todo aquele amor construído durante anos. pode ser que eu tenha me sabotado novamente para poder encontrar prazer em outras paixões. pode ser apenas que eu tenha abusado de tudo e pronto. 

todo esse lenga lenga percorrido no caminho me fez ter necessidade de outro tipo de experiência fotográfica. a câmera se tornou muito grande, a troca de lentes se tornou cansativa e o tamanho da máquina se tornou exaustiva e espalhafatosa. lá vai eu agora querer entrar na modinha das mirrorless e criar a necessidade de comprar outros equipamentos para satisfazer meus desejos momentâneos.

mas eu não sei bem o que estou fazendo. pode ser que dê a doida e amanhã de manhã as coisas mudem. posso criar outra paixão ou até mesmo arrumar um emprego de carteira assinada.

12 de novembro de 2014

eu não sabia que poderia dar um tíute. eu não sabia que ia ficar mufinando pelos cantos. não sabia que esse negócio de férias era tão necessário assim. é incrível como eu não sei de nada.

diariamente estou aprendendo coisas novas. isso é natural. o mais incrível é que, por mais que você a cada minuto saiba de coisas diferentes, cometa novos erros, viva sensações distintas; você enxerga o quanto não sabe absolutamente nadica de nada da vida. 

férias não é somente aquele afastamento merecido do trabalho, conquistado após longos 12 meses de trabalho intenso, assegurado e remunerado pelo INSS. as férias que me refiro são aquelas da vida. férias de pessoas, de rotinas, de trânsito, de um mesmo horário para acordar, de uma mesma linha de raciocínio a seguir.

minha casa reflete minha alma. nunca fui Amélia, nem tenho tal vocação. mas, poxa! como adoro arrumar a minha casa. deixá-la limpa, cuidar das plantas, avivar suas cores, organizar meus objetos que guardo com tanto zelo. aqueles poucos metros quadrados do apartamento é minha representação em detalhes.

não poder cuidar desse espaço, das luzes, nem tampouco observar com mais frequência aquele amarelado que pinta a janela e a parede da área de serviço a cada fim de tarde, me dói. deitar no chão e ouvir música, assistir tv enrolada no lençol vestindo minha roupa de dormir no auge das 15h da tarde me faz falta. 

mais uma vez me perdi, me desencontrei. não sei mais o que almejo nem onde quero chegar. as pessoas me decepcionam cada vez mais e me motivam a conviver com elas cada vez menos. preciso me encontrar de novo. minha vida é uma eterna busca em saber quem eu sou e para onde quero ir. talvez essa definição nunca seja encontrada. talvez eu seja essa eterna busca de querer me encontrar e ponto.

nem me lembro mais do quanto me esqueço de tudo. por isso vivo tão intensamente cada minuto de angustia ou de felicidade. porque sei que é só ali que vou sentir, depois não mais lembrarei de suas sensações. vou findar me tornando uma velha môca, esquecida e introspectiva.

me deixa sentir esse não-sentir, me deixa lembrar desse não-lembrar. 

24 de outubro de 2014

nunca termino nada. sou pentacampeã mundial em iniciar coisas, projetos, vidas e vivências. mas não concluo. talvez seja por essa esquizofrenia de querer fazer tudo e por essa determinação em não terminar nada. mas o fato é que eu tenho de terminar. vai ser a primeira vez na vida que vou fazer uma coisa completa. do início ao fim. dentro do prazo estipulado.

em janeiro de 2010 quando fui lá no setor III da UFRN fazer o cadastramento da minha matrícula no curso de comunicação social - o qual demorei exatos 4 anos para ser aprovada no vestibular da Comperve - naquela fila encantadora sob um sol de fim de tarde, subi as escadas para o primeiro andar do bloco C e, ao entrar na sala, assinei um papel que dizia que eu tinha minha graduação deveria ser concluída até 2017. esse é o prazo que se dá para pessoas como eu: que não terminam suas coisas e adiam até não poder mais. a UFRN é uma mãe.

pela ordem natural das coisas tenho 9 períodos para me graduar. ter o título de bacharel. né pouca bosta não. em agosto de 2010 entrei nos corredores do bloco H verde, despreparada e ansiosa; tudo parecia mais simples, apesar da dificuldade em executar o conhecimento e aprender a estudar. agora estou aqui, 4 anos e meio depois, no bendito 9º período e com a porra do perfeccionismo à flor da pele e a miserável da dislexia encangada na minha alma de tal forma que fica difícil de desgrudar.

finda que menos de dois meses para terminar tudo, o que eu mais quero é ouvir os clássicos da música brasileira. Gonzaguinha e Sérgio Sampaio estão sendo desbravados pela minha pessoa. mesmo que eu tenha à minha mesa artigos, referências bibliográficas, prazos, filmes, roteiro, storyboard, plano de filmagem, agonias, erros, falhas, apreensões, lágrimas.

claro que era esperado que tudo desse errado em um certo momento. num tá cá gota de a perfeição ser minha amiga.

não vou mentir que eu gostaria de desistir de tudo. sim, esse é o meu real desejo. era zerar a vida e viver do que a natureza oferece. mas eu tenho que fingir ser forte e dizer que estou estimulada, revigorada e mostrar que vou dar a volta por cima e concluir o que foi iniciado.

as pessoas esperam alguma coisa de mim. depositam confiança em mim. porque raios eu fui fazer isso com elas? porque as fiz acreditar que eu poderia conseguir as coisas?

no final das contas não sei se iludi mais os outros ou a mim.

mas eu vou terminar. vou ser forte. vai ficar bom. vou superar as expectativas. vou mostrar que sou capaz. que sou cotista mas não sou preguiça. que fui beneficiada mas que não fui mimada. vou fazer essa merda toda.

agora depois disso, não queiram mais nada de mim.

26 de setembro de 2014

a sensação de estar flutuando em cima de uma nuvem branca e os cabelos voando em uma não-sincronia contagiante surge involuntariamente por alguns segundos e depois se perde no ar. por mais que eu estique a minha mão e tente segurá-la por mais tempo ali comigo, meus dedos deixam escapar.

eu que sempre fui desleixada, agora parece que sou mais e cada dia me importo menos. algumas mudanças são tão naturais quanto o amanhecer do dia e parece que cada nova noite vem mais rapidamente, como se ela estivesse ansiosa por me mostrar o que tem depois.

o ciclo de estar onde se quer e querer mudar de lugar se renova a cada estação do ano, apesar de nunca saber quando a primavera vai chegar ou se o verão vai sumir.

como se houvesse diferença. há?

só o esforço pra lembrar de não esquecer das coisas simples  se torna suficiente para parecer que você está ali, atenta, como quem já foi um dia de lembrar.

mas tudo bem. tô voltando agora, não tenho pressa. só quero fazer sentido pra mim.

30 de janeiro de 2014

E se eu aproveitar essa chuva para correr ou ficar com os braços para cima, olhos fechados e rodando, rodando, rodando... Mas eu teria de aproveitar logo porque as chuvas aqui quase nunca vêm. Fui uma surpresa acordar hoje e ver que o céu estava cinza. Não percebi o barulho da chuva porque o sono estava pesado e o quarto todo trancado não permitia que os ruídos da rua entrasse por lá.

Que droga! Eu sempre deixo os ruídos da rua entrar. Logo hoje que chovia, tranquei tudo.

O percurso de casa para o trabalho foi incrível, pois choveu até o fim. Apesar de ter subido no ônibus e ter sentido aquele abafado desgraçado - porque todos fecham as janelas por completo - ainda consegui sentar na janela e abri um pouquinho de nada da janela e sentia um vento frio forte entrando e balançando meus cabelos.

Ficarei aqui dentro por 5 horas. Não sei o que me aguarda quando eu for lá fora, mas espero que ainda esteja chovendo.

17 de janeiro de 2014

as horas aqui estão passando devagar desde ontem, apesar de eu sair mais cedo desde ontem.

isso deve ser uma agonia completa porque está sintonizada com a hora do acordar, que vem antes do horário, antes do despertador. o sono se tornou finito dois dias atrás, logo após eu ter tomado um comprimido para dor de cabeça na noite anterior da manhã passada.

engraçado - mas não risível - é que nas duas noite anteriores à tomada do comprimido, as dormidas eram longas, as horas se passavam numa velocidade absurda e quase nenhuma divagação se completava pela falta do tempo. nem lembro ao certo o que eu fazia na cidade ou em casa ou no trabalho, além do usual e do necessário. eu lembro que desde às sete da manhã eu solicitava a soneca do despertador a cada dez minutos, até que às oito eu acordava, finalmente.

eu não queria ir e logo vinha embora. 

na manhã de antes de ontem eu quis acordar logo. ainda apertei a soneca na tentativa rotineira de prolongar mais o sono, só que não deu certo. porra, levantei rapidamente! me agoniei só de pensar em ficar ali deitada. a chuva de dez longos minutos logo passou e o frio nem veio, deixando aquele sol bonito entrar na janela que teima em ficar aberta todas as noites ao dormir. bom momento para tomar banho, se arrumar, tomar um gole d'água e sair de casa em quinze minutos.


eu fui e tudo aconteceu no mesmo e na mesma velocidade de sempre; com exceção dos ponteiros que fazem a hora passar. de repente tudo foi feito e a metade do tempo ainda estava livre. esse tal tempo que tantos querem para si estava de bobeira circulando por aí e nem foi aproveitado. só teve a imposição rotineira de não fazer nada, não se concentrar, não pensar em agir nem nada.

mais pra quê? às vezes nem esse mais é tão necessário.

9 de setembro de 2013

vou me escondendo por aqui, é o melhor que eu faço.

aliás, "o melhor que eu faço" é uma frase meio que subjetiva, digna de várias interpretações e conclusões. o que é o melhor que eu faço? o que venho fazendo de tão bom?

essa merda mais parece um diário de uma menina buxuda que não diz nada com nada.

basta apenas dar um apagão de 10 minutos que tudo dá um branco. que tudo fica branco quase que transparente, deixando claro que as coisas não estão sendo postas em prática. que são muitas coisas que querem sair do canto mas que a falta de memória (porra, essa maldita falta de memória de novo) corrói tudo por dentro.

crise por cima de crise, atrapalhando tudo de bom que um dia foi planejado e desestimulando as poucas coisas que têm pra dar certo por essas bandas.

acredito eu que esse aperreio mental constante pode vir justamente da falta de um canto específico, de alguns metros quadrados com minhas cores, meus valores, minhas ocupações e meus vazios.

por favor, alguém me tire daqui.

15 de agosto de 2013

quando eu decidi abandonar, não foi proposital.

sabe quando você vai vivendo a vida normalmente e as coisas vão se ajustando de tal maneira que não tem como continuar carregando certas coisas na bolsa? não que essas coisas pesassem. não é isso. é que tinham mais objetos para carregar para um lado e para o outro e, inevitavelmente, outros tiveram de ficar no guarda-roupas.

pesado mesmo é saber lidar com o que você sempre quis. caminhar na direção que você julga estar certa e te satisfazer, requer, necessariamente, deixar pegadas no caminho.

estou aprendendo poesia. mas é daquelas que não se escreve, não se fala, nem se fotografa. nem muito menos se fotografa. é uma poesia só do sentir que tem a consistência de um vento forte ou o som de um beijo no rosto. nem cabe mais ficar falando sobre uma memória que não há, porque essa afirmação já é tão demodê... o que cabe agora, é tudo.

a caixa de papelão de achados e perdidos tá só crescendo. toda vida foi assim, porque agora haveria de ser diferente? toda vida eu tive esse negócio de ir conseguindo conquistar o que eu queria, ou achava que queria. vivi tão intensamente tantas das coisas que hoje me injetam para uma outra força. me vejo no meio desse puxa e trás de cordões coloridos e resistentes, e eu como uma doida do pão sem saber bem pra onde ir, mas querendo ficar nos dois cantos.

só que eu não vou para os dois lados, nem vou ficar mais destilado. vou pro lado de lá e levo comigo o que eu puder.


11 de agosto de 2013


Como eu não me sentia antes. Talvez até tenha sentido em outros momentos. Inclusive, eu possa ter sentido ontem a noite, antes de ir dormir. Só que eu não sei, não lembro.

Eu não lembro de nada. Da mesma maneira que não sei como dizer nada, nem sentir, nem expressar. Nem expressar. Quem não consegue se expressar? Só alguém como eu, que não lembra como sentir.


Já ouvi várias músicas, vi inúmeros filmes, a todo instante vejo fotos, leio nomes, escuto histórias. Sempre que tento repetir alguma ação sinto tudo como se fosse a primeira vez, como se as vezes anteriores não tivessem existido. E é bem isso, já que eu não lembro onde ouvi, onde li, onde cantei.

Fica tudo dentro de mim, guardado, tumultuado e entulhado.


De repente eu sinto que já senti aquilo, mas não sei explicar exatamente o que é. Sinto que já ouvi aquela canção mas não faço ideia de onde.

Sou um depósito de sentimentos aleatórios. Ao menos são sentimentos bons, que me fazem sorrir e que me animam a cada manhã. São coisinhas que perpassam pelo meu corpo e fazem com que eu me levante pela manhã e queira fazer aquilo que eu mais gosto e não sei como fazer direito. Não sei dos detalhes, do aprofundamento, de nada. Só sei que sei. Ou, pelo menos, que deveria saber.


Acredito que isso um dia vai acabar me matando. Um dia vai dá um pipoco na minha cabeça e tudo vai parar de funcionar.

O aperto no meu coração quer explicar tudo o que está acontecendo aqui, mas não consigo escutar. Só consigo escutar essa folk latino-americano que está tocando no soundclound, e que não sei como veio parar aqui. Sei que cliquei num link, em algum canto da internet. Não sei de muita coisa mais.

Com medo de achar a resposta, talvez acho melhor não revisar nada.

Só justificar esse espaço.

23 de julho de 2013

São muitas novas informações. É uma misturada de consoante... São letras juntas que formam um roteiro que saem novas canções. 

Continuo sem compreender tais notas, assim como também não entendo muita coisa. Muitas das quais eu normalmente entenderia. Mas, afinal, pra quê querer entender de tudo?

Não entender é melhor! Estar confuso é esclarecedor, é dominante, é instigante. Ficar num estado de incompreensão te faz enxergar tudo de uma nova perspectiva.

É como se fosse uma consulta no oftalmologista.

Você chega na sala do cara de jaleco branco e de móveis legais. Ele te manda ver umas letrinhas miuidinhas. Umas letras soltas, aleatórias. Consoantes, em sua maioria. Que, se juntar, forma um roteiro pra tocar com a banda de você sozinho.

Você vê isso, chega com os seus mesmos olhos de sempre e acaba saindo com outros olhos. Que enxergam as coisas que você não compreende e te faz entender o que não está claro.

Outras formas.
Outras calmarias.
Quase nenhum aperreio.

Agonia? Vixe, tem mais não ome. E até tem, mas quem lá se importa? Eu não. Hoje em dia, não mais. 

Surge o problema no alternador do velho carro novo que para de funcionar repentinamento e não te dá outra alternativa, senão ficar nesse alto, olhando bem lá na frente as luzes brancas que vêm e as vermelhas que vão, o amarelo do poste que ilumina os chãos e o azul escuro que serve de plano de fundo para uma pequenina tímida lua.

Ô. Isso não é ruim não, meu sinhô. Tem até gente por aqui que seguiu o roteiro das letras e formou novas músicas.

5 de junho de 2013


Numa época em que o consumo tecnológico fala mais alto que qualquer outra prática, é difícil de encontrar pessoas que gostam de cultivar a natureza, principalmente numa cidade grande.

O pau-brasil foi uma das especiarias mais comercializadas na época da invasão portuguesa em terras tupiniquins. Apesar de ser a árvore que dá nome ao nosso país, tanto já foi explorado que, hoje em dia, quase não conseguimos encontrá-la pelas ruas ou pelas nossas matas.

A cultura de não estudarmos e não conhecermos o que é nosso, também incomoda. “As crianças não sabem o que essa planta significa. Podem até saber que ela foi a árvore que batizou o nome do nosso país, mas se você colocar um planta de pau-brasil na frente delas, elas não vão saber diferenciar. Elas não vão reconhecer.”. É o que diz Alexandre, enquanto vai mostrando com orgulho, uma por uma as mudas de pau-brasil que ele planta no trabalho.

Alexandre Henrique tem 44 anos e é vigilante da sede do Incra do Rio Grande do Norte desde o ano de 1988. Antes de chegar no Incra, o pau-brasil mais antigo da instituição já havia completado 25 anos de existência. Mas, até em então, a árvore não tinha chamado tanto a sua atenção.

O interesse pela jardinagem surgiu na própria instituição, apesar dele nunca ter trabalhado diretamente com isso, Alexandre já prestou alguns serviços para conhecidos e até dá sugestões ao jardineiro de como podar as plantas. Ele conta como era a estrutura do prédio há 24 anos, e vai mostrando orgulhoso o outro pau-brasil que ele mesmo plantou no local.

Há cerca de 10 anos, Alexandre começou a perceber que poderia fazer muito mais do que apenas cuidar daquelas duas árvores históricas. “Tem uma época que o pau-brasil solta muitas semestres, e ficam todas caídas no chão. Essas semestres sempre eram varridas e jogadas fora, até que eu comecei a prestar atenção nelas”. Foi quando ele começou a cultivar as mudas da planta e doar. Na primeira levada, ele conta que foram cerca de 150 mudas e sementes doadas. Quem adota a planta, conhece um pouco mais sobre a sua história, pois Alexandre faz questão de contar.

“Como aqui vem muita gente de assentamento, pessoas que moram em interior e que têm espaço grande no quintal, eu sempre oferecia algumas sementes para eles plantarem lá”, conta Alexandre. A última doação foi feita há 2 meses, e mais 100 mudas foram doadas. Assentamentos, quintais de vizinhos e conhecidos, e até nas terras lusitanas existem sementes plantadas que foram cultivadas por Alexandre.

Ele não vê desgaste nenhum em praticar esse hobby, até diz só não faz mais porque não é a sua função dentro da instituição. Para ele, o importante é que se preserve, ao invés de destruir. Até em feira de ciências da escola do filho Alexandre já levou umas mudas e fez o que mais gosta: contou a história da planta e doou para as crianças.

Ao todo, ele não sabe quantas sementes foram plantadas. Enquanto ele mostra sorridente e com as mãos sujas de terra molhada da rápida chuva que caiu, as várias mudas de pau-brasil que conserva em copinhos de plástico dentro do Incra. Dessa forma, ele vai contando e explicando quando e por que uma semente não germina mais. Em copos vazios, Alexandre dá o passo-a-passo de como se plantar. Pegando na terra, tocando na árvore, mostrando suas folhas, ele explica que qualquer solo é capaz de fazer crescer a planta. É só cuidar com amor e carinho.

16 de maio de 2013

Tudo é uma questão de costume. Até um tempo atrás eu era condicionada a conviver e achar normal certas coisas. Hoje em dia, certas coisas me parecem estranhas e inaceitáveis.

Paredes, grades, muros e porteiros tomam conta das escolas. Tudo é regrado, chegar tarde não pode, sair a qualquer hora também não. Tem gente que chega, olha pra mim e diz: isso é questão de respeito e disciplina. Eu paro e penso: agora foi que deu, pra mim isso é prisão.

Ok. Aí você tá crescidinho e é hora de ir para uma universidade. Depois de várias tentativas, você consegue entrar lá. E é lá numa universidade pública, que todo mundo fala bem e que todo mundo quer entrar. Não sei qual a realidade de todas as universidades públicas do Brasil, só conheci a UnB (que é bem ao ar livre, tipo a UFRN) e a UFC (que é mais trancafiada). Só sei que me acostumei com esse tipo de escolas (nos encontros estudantis, os militantes chamam as universidades de escolas, achei estranho mas é coerente), de aprendizado se paredes, sem muros, sem prisões. 

Tá, tudo bem que as coisas não são bem assim. É sabido que, apesar do Setor II ser todo liberal, ainda é preciso ter uma matrícula para continuar por ali. Se bem que, mesmo quem não tiver esses benditos números, pode até estar na sala de aula, pois, dificilmente alguém vai pedir para um não-aluno se retirar.

Só que o mundo não é tão florido assim. Certa vez eu fui lá na UnP da Roberto Freire. Fui para uma entrevista de emprego para editora de vídeo, carteira assinada, de segunda a sexta; uma coisa linda. Saí até esperançosa. Encontrei uma amiga que estuda lá e fiquei conversando até a hora da minha aula começar e eu ter de ir embora.

Mas eu só consegui ir na entrevista, porque uma moça simpática me disse onde ficava a sala e me deu um cartão de visitante. Passei pela catraca e o guardinha lá apreendeu meu cartão. Na volta, fui barrada pois não tinha nada com um código de barras que pudesse ser lido por aquelas luzinhas vermelhas. Depois de conversar e de ter dito que ele tinha ficado com o cartão, foi que ele sorriu e disse: "ah, verdade, desculpa. É que passam várias pessoas aqui e as vezes me esqueço quem tem ou quem não tem o cartão". O senhorzinho pegou o cartão dele e a catraca deu sinal verde pra eu passar.

Ao encontrar minha amiga na praça de alimentação, desisti de comer ao ver os preços exorbitantes das cantinas no lado esquerdo do salão, apesar de, no lado direito, as salas de aula do curso de Gastronomia ter vários pratos jogados no lixo. Perguntei o por que de não distribuírem e eis que me responderam: "vai que a comida esteja estragada e dê um piripaque em alguém?" Vixe maria!!! Eu respondi: "pois é, vai que..."

Nós conversamos por horas e nem percebi o anoitecer chegando. Tudo ao meu redor era parede e os vidros tinha película fumê dos dois lados, além daqueles adesivões na frente, que mostram as vantagens de se estudar ali. Por dentro, não dá pra se ter noção do mundo lá fora.

Sei lá, tem coisas que eu não entendo. Como na reportagem que saiu em rede nacional, que uma escola estava levantando um muro para separar os alunos com deficiência física dos alunos "normais". E quando foram entrevistar o diretor da escola, atrás dele e daquela ruma de baboseira que ele argumentava, estava uma frase de Paulo Freire colada na parede.

Assim como tem aquelas escolas particulares, uma das melhores da cidade, que tem os alunos que são capazes de aprender mais do que os outros e que não concebem a ideia de algumas inclusões. A maioria deles acham isso um absurdo, argumentam algo sobre a meritocracia. Mesmo assim, nas paredes da sala do 9º ano, tem uma frase de Paulo Freire colada na parede em letras garrafais: "não há quem sabe mais ou menos: há saberes diferentes!"

O pobi... Diante da realidade de várias escolas brasileiras, ele nem deve mais se contorcer, ele deve é sambar de tanta raiva dentro do caixão.

13 de maio de 2013

Inventaram de pedir que eu viesse toda segunda-feira a tarde. O resto do dia da semana é todo pela manhã, a manhã inteira, contando a partir das 8h. Mas na segunda é pela tarde. Pudera minha vida ser toda assim: você curte o final de semana, bebe com os amigos, vai prum rolé na Ribeira, fica até meia noite comendo cachorro quente sem salsicha na praça Cívica, no Passaporte Lanches, e dorme até às 11h do dia seguinte.

Mas o foco aqui não é esse. Também não é o café que está ruim, nem a falta de energia no estágio, nem mesmo a chuva deliciosa que está lá fora e só me faz lembrar da minha cama e dos meus aparelhos de tevê e dvd que funcionam pelas coxas, mas que, mesmo assim, é o suficiente para eu assistir algumas das 10 temporadas de Friends. O foco aqui é a leitura, o cérebro, a escrita, o dom de organizar coerentemente palavras aleatórias e formar sentido numa merda qualquer que você esteja viajando enquanto pega um ônibus para se locomover entre a província na qual você reside.

Tô pensando em quebrar uns paradigmas e desconstruir uns conceitos de níveis de intelectualidade fora do normal que temos em nossas cabeças (pelo menos, que eu tenho).

Eu vou escrever um livro. Taí, decidi.

A primeira impressão (no sentido de reação do outro e não da tiragem do meu best-seller, rsrs) poderá ser: sim, minha filha, mas como você pensa em fazer isto? Tais doida, é? Então eu direi: E pelo motivo de quê que vossa senhoria acha que eu não tenho condições?

Qual o critério para escrever um livro? Hoje em dia, vejo que as coisas não são tão difíceis. Não é tanto pelo fato de que nos tempos atuais tudo nessa vida são mais simples (teoricamente falando, é claro) de ser fazer, mas é que, atualmente, tenho um oportunidade diferenciada de enxergar o mundo e vê que quem escreve as coisas, são as pessoas e eu sou uma pessoa. A conclusão parece ser muito simples e dá a entender que foi muito fácil de imaginar isso, mas para chegar a tal conclusão, foi necessário anos de percepção das coisas ao meu redor.

Quem estudou em escola estadual desde a sexta série do ensino fundamental e misturou a falta de vontade de estudar com a falta de oportunidade dos professores de ensinar com mais gosto, entende que livros, universidades, aprendizado, inteligência, produção cultural e a porra toda, é feita por pessoas distantes da nossa realidade. Até um dia desses eu achava que as coisas ainda eram assim.

Nunca fui de ler livro. Eu pensava: ave que tanta folha, a pessoa lê o começo aqui, daqui a pouco se esquece do que tinha no parágrafo anterior e tem de voltar, assim nunca vou terminar. Por outro lado, sempre ouvi dizer que quem escreve livro são aquelas pessoas que têm família estudada, que lê que só a bexiga desde quando era menino, que participou dos mais diversos eventos culturais da mais alta importância e que domina a gramática e norma culta brasileira. Pior que eu vejo que é assim mesmo. E que mesmo o cara do hip-hop, que hoje tem uma credibilidade na sociedade, que escreve músicas ótimas e retrata bem a comunidade pobre em que vive/viveu, teve uma mãe professora que desde cedo incentivou os filhos a ler.

Partindo desse pressuposto, percebo que estou lascada. Primeiro porque não tenho domínio nenhum das regras da língua portuguesa, segundo que sou aspirante a Comunicadora Social e não sei qualquer língua estrangeira e terceiro que li pouco (se comparando ao montante de obras importantes que foram folheadas pela sociedade lotada de cultura), não tenho classe textual e, sequer, tenho memória. 

Só ousei escrever textos quando percebi que posso escrever com palavrões, tentar transformar sotaques em palavras e implementar mais referências locais. É tão broxante você ler algo interessante, que te empolga e, de repente, o autor joga na sua cara uma coisa do tipo: "Enquanto a trilha sonora perpassava pelos ouvidos do casal apaixonado que caminhava na Quinta Avenida, o amor renascia dentro deles." É o quê, ome? Eu lá sei onde fica a Quinta Avenida. Se tivessem dito que isso ocorreu lá na Salgado Filho com a Bernardo Vieira, eu iria entender completamente.

Pois bem, enquanto nenhuma editora me descobre, me revela como cronista e nem se compadece com minha pobre alma, vou parando por aqui e finalizando esse texto. Já está na hora de ir embora, lá fora tá um toró, eu não tenho guarda-chuva e ainda sou obrigada a encarar um trânsito infernal na Hermes da Fonseca, pra pegar um circular lotado e abafado pra ir a UFRN.

19 de abril de 2013

No mundo de hoje, pós-século XX, início de outro milênio, tempos posteriores aos de outrora; a tecnologia tá virada num traque. Em tudo quanto é lugar, a tecnologia revoluciona nossas vidas.

É TV digital, é rádio na internet, é a própria internet cheia de artifícios, são os celulares de 4 chips, são os celulares com Android, são os carros ligeiros, é a mudança do marketing, é a insistência do telemarketing, é o Prezi que está substituindo o Power Point,  é o mundo se comunicando na velocidades da luz, é a NASA achando vida em três planetas, é a NASA trabalhando muito e pegando no flagra um buraco negro engolindo um planeta, é o ar-condicionado portátil, é o notebook que vira tablet, é carro sem marcha, é canal por assinatura que só a bexiga, é câmera fotográfica que filma muito melhor que uma filmadora, é vitrine de loja com um adesivo cheio de quadradinhos que você coloca o celular com um leitor de código de barra e já entra num site super invocado com várias informações. É isso, é aquilo...

É tanta da coisa que se eu for procurar no Google as últimas maiores revoluções tecnológicas com certeza vou encontrar uma lista já pronta. E se eu for procurar no Google Acadêmico vou encontrar cerca de três artigos e/ou livros que tratem do tema. É assim, a informação está toda assim, sendo informada e comunicada a todo instante, por mais que você não queira. E tem hora que você realmente não está afim! Mas a informação não está nem aí pra isso, ela vai continuar te informando, quer você queira ou não.

Aí alguém pergunta: mas e tem gente capacitada para dar conta de toda essa informação, juntar e colocar empacotada dentro de uma rádio/tv/internet/jornal/revista/etc e tal? O pior que tem sim.

Ainda no início deste milênio, no auge dos acessos às universidade públicas no Brasil, tiraram o doce das crianças que almejavam ter um diploma de jornalista. Chegou um e disse: "ei, não precisa de canudo pra ser jornalista! Tem pra quê fazer faculdade pra comunicar não, minha gente." Aí pronto, foi dada a largada ao descontrole, aos momentos de descabelagem, às inquietações e ao egoísmo coletivo. 

Vômitos argumentativos eram espalhados pelo chão a todo instante, não tinha colaborador ASG que desse conta da sujeira. Adoradores da gramática, bajuladores da norma culta e chatos do "só existe um jeito certo de escrever, aprendam, seus burros sem educação" também se manifestaram. Disseram que não podia, porque isso era uma afronta à elite comunicacional, aos detentores do poder e os incultos iriam enfeiar as páginas e espaços sonoros e televisivos com os termos  e atitudes orkutianas.

Imagina só se isso acontece? Ave maria, nã. Quero nem pensar. Vai de reto satanás. Ainda bem que voltaram atrás com essa conversa. (A verdade é que eu nem ligo, pra mim tanto faz).

Pois bem, eu só queria que tivesse mais coisas que me interessasse. Acho que sou chata demais e reclamo de tudo. Mas eu só queria mais cores, mais sotaques, mais gente diferente, mais negão, mais índio, mais pobre. Só que eu queria tudo isso de maneira positiva, de uma maneira que não mangasse do povo. Eu não vejo isso, aí eu fico triste.

Então eu fujo dessas coisas que é pra não me estressar.

Perdi meu celular no carnaval. Ele era uma daqueles bons. Era o mais barato dos bons. Esperei receber meus poucos reais, juntei um pouco, pedi o cartão de crédito de mainha e comprei um novo. Esse agora tem dois chips. É o mais barato de dois chips. O bom dele é que você pode baixar vários jogos gratuitos legais para passar o tempo e não se estressar com coisas que você quer fugir. Eu baixei Palavras Cruzadas e jogo toda vez que perco o meu tempo dentro de ônibus me locomovendo lentamente entre os pontos da cidade.

Eu lá sei qual o primeiro nome do pintor Cezanne, eu lá sei o que colecionam os Filatelistas, eu lá sei qual é a capital do Sri Lanka, eu lá sei o que é Turmalina. Só sei que lá pelo nível 7 tinha uma pergunta: "Quem nasce no Rio Grande do Norte é? (8 espaços)".

Vixe, fiquei feliz demais. Dei um sorriso sincero na cadeira alta do 78/47. Era só isso que eu queria no meio de todo esse imenso universo: me sentir representada!

12 de abril de 2013

Coloquei um filme na câmera analógica. São 36 poses.
Me limitei, tenho de pensar muito bem antes de clicar.
Preciso ter certeza dos locais, das cenas, das pessoas... ou não.
Ou eu posso apenas passar pelos cantos e apertar o botão.

A imagem pode ficar tremida, a luz pode ficar muito forte, o escuro pode tomar de conta.
Tudo isso pode, mas o que não pode é ver o resultado imediatamente.

Colher só se pode depois de plantar. Depois de colocar a semente da captura dentro de uma geringonça escura e apaixonante. A imagem fica lá, ganha forma, ganha conteúdo, fica miudinha, quase que do tamanho de uma 3x4. Daquelas que a gente tem na carteira de motorista. Na carteira de estudante também.

Mas a gente tem muito mais do que um rosto sério num fundo branco ou azul. Tem a rua, tem um cachorro, tem a parede do quarto com fotos de dois anos atrás. Tem muito mais do que a avenida principal da cidade, tem o cantinho de um cruzamento especial, e tem o mar. Tem o amor nos olhos, o amor nos sorrisos, o amor nos gestos das mãos. E tem muita gente com um rosto sério num fundo branco ou azul.

(...)

Acabou! Como que em um desfile na semana de moda de uma cidade importante, as poses já foram usadas e mostradas. 

Agora rebobina, coloca num tubinho branco, faz um viagem de ônibus e entrega nas mãos de alguém confiável, que sabe o que está fazendo. Nas mãos de alguém que diz: a entrega é em 24 horas!

Imagino que é igualzinho nos filmes de cinema: vai ter alguém que vai entrar numa sala pequena, cheia de bacias brancas e retangulares com água. Se não for água, é algum tipo de líquido transparente. De alguma forma mágica, esse líquido que deixa o negativo em banho maria, amplia o que era bem pixototinho e deixa dum tamanho normal, tradicional. Deixa do tamanho esperado. Do tamanho que cabe na maioria dos porta-retratos que encontramos em lojas de variedades de R$ 1,99.

Tem uma luz vermelha. O papel passa de bacia em bacia. A foto vai surgindo aos poucos, como efeito de transição do moviemaker. Depois essa pessoa que entende desses mistérios da vida, pendura a foto com um pegador num varal nesse mesmo quartinho. E pronto, o retrato tá revelado.

26 de março de 2013


Escrever neste blog é com fazer uma oração: só o faço quando quero pedir algo.

Se bem que eu nem oro nem rezo nem faço nada. Até penso em como deveria ser praticante nessas coisas, mas tudo está tão passível de descrença que acredito que nem vale a pena tentar. Nesta afirmação também se encontra a tal da reza.

Gosto mesmo é de escrever no papel, mas o tempo escasso desta vida de "meu Deus" não dá. Além de tudo, passa-se tanto tempo na frente do computador que quando me mandam escrever uma coisa me dá logo um princípio de tendinite, um distúrbio de letra de médico e toda essa aflição ocorre ainda na metade do segundo parágrafo. Ontem a professora falou que a tendência é que as telas dos computadores se tornem touch screen, tipo os iPhones da vida, e imediatamente eu já fui sintindo saudades da minha letra que, nos tempos de outrora, foi tão bonitinha.

Pra evitar as escapulidas na hora do trabalho, agora tão dando pra bloquear sites. Onde já se viu, rapaz? Temos de manter as informações acessíveis, as pessoas têm de estar olhando tudo, inclusive no Facebook, porque as notícias são filtradas por lá. Aí me vem a mente aquela frase: podem me prender, mas não me impedirão de pensar. Ou algo assim. Procurei no Google mas ele já não confirma mais essas informações de maneira precisa. Hoje em dia o povo fala tanta coisa na internet e até a internet se confunde.

Só que eu tenho de manter minhas orações, sejam elas no sentido religioso ou gramatical. Às vezes eu até misturo as duas. Vez ou outra tem Deus ou Jesus nas minhas frases, normal demais. Nem glorifico de pé nem ofendo. Apenas uso - mas acredito que não seja em vão, as pessoas são muito metódicas, afe! -, pois estas expressões são comuns e acho que Ele nem liga. Ele sabe muito bem o quão legal eu sou, e que não tenho a intenção de ofendê-lo (gente, não sei onde coloca a letra maiúscula nesse caso, me desculpem). A verdade é que eu preciso sempre estar falando.

Apesar disso, ando querendo calar a minha boca ultimamente. Falo tanto que nem aguento a minha voz, faço tanto tumulto que já estou me achando insuportável, quiçá o resto da humanidade. Só que controlar isso é difícil. Mas vou me calando em ocasiões especiais, assim, quem sabe um dia eu finde apenas falando quando necessário e me torne alguém mais respeitável.

Sou cientista da vida e vou fazendo esses experimentos por conta própria. Pena que não investem financeiramente em mim, por isso a demora para concluir certas pesquisas empíricas sobre a minha pessoa. O dinheiro da bolsa e do estágio (quem nem vi a cor do dinheiro neste ano de 2013) não dá nem pra comer mais de uma vez na semana ali no Pastelouco, lá na Abel Cabral.

Entusiastas da literatura poderão afirmar: "Mas você pode se alimentar de palavras". Eis que eu responderia: "Posso porra nenhuma! Me prove que a palavra 'comida' vai tirar meu bucho da miséria na hora do almoço". A conversa se daria por mais alguns minutos, munidas de argumentos filosóficos e sociais, dos dois lados. Sendo que tudo isso pode ser apenas fruto de uma imaginação fértil, desprovida de lógica racional e lotada de DDA.

Acredito que é preciso fazer reza braba (isso inclui evangélicos, católicos, seguidores de Oxu, Juremeiros, muçulmanos, etc.) para podermos impedir que os bloqueios em sites e blogs continuem se propagando nas empresas e repartições públicas.

A internet deve ser livre, os acessos também, inclusive os comentários no portal d'O Globo (eles deixaram claro que os comentários são passíveis de aprovação e podem até comentar, mas só em publicações específicas e tome lá a lista mixuruca).

A gente vive nessa vida à base de "tem, mas tá faltando" e isso se aplica a tudo com  o tão expressivo "é livre, mas aqui não pode".

8 de março de 2013



Dizer que o dia foi cheio e cansativo, nem graça tem  mais. Sabe-se que todo dia é bem puta que pariu e que quaisquer afazer a mais é normal, já que se foder é igual a coração de mãe: sempre cabe mais um (imprevisto).

Quando eu cheguei em casa definitivamente, por volta das 23h10, fui tomar um belíssimo banho demorado de água quente com direito a lavagem de cabelo regado a Seda Pretos Luminosos. Como imaginei que ia demorar naquele exótico banheiro com paredes toda na cerâmica branca com detalhes azuis, levei meu celular que ainda restava um pouco de bateria para ouvir uma musiquinha. Só que ele não prestou, nenhuma tecla funcionava e eu simplesmente deixei pra lá porque, apesar de tudo, meu dia foi muito bom e eu não queria me estressar.

Dei início aquele ritual banhístico noturno caprichado. E enquanto lavo meu cabelo, com os olhos fechados (Claro! Até porque, se pegar no olho aquilo pode cegar) e quando eu abri os olhos de repente não tinha mais luz. Pensei: CARALHO, TÔ CEGA. O bom é que não, eu não estava. Só que o ruim: tinha faltado energia. Toda essa reação e percepção demorou cerca de 3 longos segundos. O grito da massa foi o suficiente para ter a certeza do estresse que a Cosern causou no meu banho relaxante. Por sorte, aquele celular que deu tíute, tava ali do lado altamente paralisado, sem qualquer função aparente, apenas travado na parte de energia do celular, ou seja, fiz dele minha lanterna.

Imediatamente, com meu novo celular lanterna, peguei um lençol de cama limpo no quarto de mainha e fui para o meu quarto, com o reforço da luz de vela colada com uma gotinha de cera derretida em cima de um pires, fiz uma ligação e comecei a conversar enquanto arrumava meu quarto no pseudo-escuro. Após a faxina  inusitada, comecei a pensar em todas essas estratégicas mirabolantes e complexas para o dia seguinte, onde  eu mapeava as possibilidades de se fazer presente na realização de um trabalho de projeto experimental mais conceituado de um evento universitário, gravação num programa de entrevistas com grandes nomes da charge brasileira e, o mais interessante e motivador de toda a mudança no cronograma atual, a possibilidade de passar um tempo com aquele mesmo escritor que autografou seu livro.

Na sequência, ainda com a toalha enrolada na cabeça, meu irmão passava a informação para a minha mãe de que no município de Olho D’água também não havia energia. Em Parnamirim já se sabia que não tinha nem o rastro, com exceção da luz lua. Em Mossoró, tinha-se apurado que também não havia nenhuma gota de energia.

Ao deitar na minha cama macia e cheirosa, cheguei a uma conclusão: a falta de energia está acontecendo no nordeste inteiro. Assim como foi na outra vez (em 2011).

Só que dentro da minha mente maligna, já imagino que o motivo dessa frequente (tá, nem tão assim, vai) queda GERAL de energia, é apenas para colocar em nossas cabeças, de uma vez por todas, que a construção de Belo Monte é altamente importante para a sociedade brasileira. Acredito que essa é apenas uma brincadeirinha de mal gosto que o governo está usando pra nos fazer crer que aquela ruma de concreto no meio do quintal do índios é necessária.. será?

Não, não, não... Dilmão não ia fazer isso com o povo. Gente, foi só coincidência. Acabou o expediente, saíram e desligaram o interruptor do Nordeste sem querer.

6 de março de 2013

O fim está automaticamente ligado ao começo. Todo dia a contagem regressiva é ativada. A última previsão para o fim do mundo foi em 21/12/12. Acredito que era mais pelo fato de ser bonitinha essa sequência de números, do que qualquer outra coisa cientificamente comprovada.

Dentre várias prévias para o fim do mundo, temos de aproveitar todo esse contexto terminal que estamos vivendo. Claro que todos esses "fins" estão ligados diretamente a outros inícios.

Estamos sem Papa. Porra, que mundo é esse onde não temos um Papa? Que malefício isso pode causar numa sociedade, seja ela católica ou não? Não sou católica, viu. Mas a questão é, quem vamos tomar como referência na ligação direta entre Deus e o representante dos homens na terra, senão um senhor branco, europeu, de idade avançada e poder social altíssimo, que relaxa seu bumbum santo numa imensa poltrona de ouro? Até lá poderemos transar sem camisinha, antes do casamento e ter relações homossexuais que ninguém vai se incomodar. Mas quando o novo Papa chegar, vamos nos disciplinar de novo. Aproveitem enquanto há tempo.

Enquanto isso, assinaturas estão sendo recolhidas para a fundação de um novo partido político no Brasil. E eu não estou falando do saudoso ARENA, partido este que trás à tona todos os desejos e anseios pela ética, moral e bons costumes, cultivados nos tempos de outrora, como na nossa histórica Ditadura Militar. A jovem reacionária, de piercing nos lábios, cabelo pintado e cotista do ProUni está só querendo que tudo volte ao normal. Ao menos ela tem um direcionamento, apesar de ser incoerente com o discurso. Mas sobre quem eu estou querendo realmente falar é a ilustre Marina Silva e seu mais novo partido que se chamará Rede Sustentabilidade. E ele não será nem de esquerda nem de direita, muito pelo contrário. Marinão está apenas querendo se inserir dentro da política de maneira contemporânea, concreta, realista. É só uma questão de ser coerente com a situação atual. Sei lá.

Aí, como o mundo tem muita gente e muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo, tem também o lance da nova presidência da Comissão dos Direitos Humanos rolando. A indicação vem do Partido Social Cristão a um Pastor Evangélico, um tal de Marco Feliciano que cobra mil reais de um tetraplégico para fazer milagres. Nos filmes sobre Jesus, a gente ver que ele fazia isso na maior camaradagem, só pra fazer o bem ao próximo mesmo. Só que os temos mudaram, isso é verdade. Na época de Cristo a economia era uma. Hoje em dia eu compreendo perfeitamente que os milagres sejam cobrados, até porque vivemos numa economia capitalista, onde precisamos tirar o nosso para poder nos sustentar e ter nossas necessidades básicas como avião particular, comida, carro importado, roupas, alguns anéis e cordão de ouro, entre outras coisas. Daí, se utilizar de argumentos bíblicos para justificar o racismo e o preconceito contra homossexuais é um pulo. Que também não pode ser questionado, porque aí seria uma censura à liberdade religiosa. E Deus que me livre fazer uma coisa dessas.

Não podemos censurar nada, nenhum tipo de liberdade de expressão. E foi justamente com esse argumento que vimos uma mulher, questionadora do governo ditatorial cubano, fazendo turnê pelo mundo a fora (começando pelo Brasil, uêba) às custas de muita gente interessante. Ela ganhou prêmios jornalísticos importantíssimos com seu blog. Com esse dinheiro conseguiu sustentar seu site e atualizar suas postagens, num país onde a internet custa 6 dólares/hora e o salário mínimo é de 17 dólares. Haja coragem para gastar boa parte do seu dinheiro na internet. Mas tudo isso fez com que ela fosse conhecida como representante dos insatisfeitos do regime Castro, mesmo que muitos - pra não dizer quase todos - nem chegam a ver suas postagens, pois eles têm mais o que fazer com o dinheiro do que pagar uma fortuna pra usar a internet. Sua notoriedade se deu no estrangeiro, através dessa ruma de gente que não gosta de nada, que sai criticando toda e qualquer forma de modelo governista diferente do comum (capitalista, é claro). Aí tem gente que enxerga isso como socialismo e outra como ditadura. Eu digo que tudo é questão de interpretação, mas a errada sou eu.

Só que algumas coisas chegam ao fim.

De ontem pra hoje, várias pessoas morreram pelo planeta afora. Assim como nasceram também, na mesma proporção ou até mais, nunca se sabe. Morre gente todo dia e esse mundo vive lotado, é incrível isso.

De ontem pra hoje também, nós, facebookianos do Brasil e discípulos de Sônia Abrão, estamos compartilhando os pêsames e os "acho é pôco" em relação a morte do ex-presidente Venezuelano, Hugo Chávez. O discurso da ditadura cubana também vale para a ditadura venezuelana, onde não existe liberdade de expressão, não se pode ser contra o governo, entre tantas outras coisas horríveis, esdrúxulas, tronxas, ridículas e dignas de ódio. Governo populista é governo que atende as necessidades do baixo escalão da sociedade, os pobres. Governo que pretende melhorar educação, priorizando os mais pobre e não as escolas particulares; governo que tem o recurso natural mais valorizado do mundo e não usa isso para tecnologia, especulação imobiliária e bancos, é um governo populista. Então tá, tudo bem.

A democracia está em crise. Os termos também.
Liberdade, liberdade, liberdade!
Todos nós queremos liberdade, desde que não interfiram nos nossos interesses.

"Olhe, vocês podem até lutar por isso, mas sem baderna, sem vandalismo e sem tirar os meus direitos"